Alemanha

Merkel aberta ao acolhimento "controlado" de refugiados afegãos vulneráveis

Merkel aberta ao acolhimento "controlado" de refugiados afegãos vulneráveis

Angela Merkel disse, esta terça-feira, estar aberta ao acolhimento "controlado" de refugiados afegãos "particularmente vulneráveis" que fogem dos talibãs, admitindo ao mesmo tempo que será difícil chegar a consenso sobre o assunto no seio da UE.

A chanceler alemã, cujo país acolheu mais de um milhão de requerentes de asilo em 2015 e 2016, disse, no entanto, que deveriam ser procuradas soluções regionais em primeira instância para acomodar estes refugiados nos países vizinhos do Afeganistão.

"Antes de falar em contingentes, é preciso estudar opções seguras nos países vizinhos. Numa segunda fase, podemos refletir sobre se as pessoas particularmente vulneráveis podem vir para a Europa de uma forma controlada e com apoio", defendeu em conferência de imprensa.

A líder conservadora, que falava após uma reunião com a homóloga estónia, Kaja Kallas, disse que tenciona reunir-se com o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi.

A questão do acolhimento de migrantes permanece altamente sensível na União Europeia, particularmente na Alemanha, onde a política de acolhimento de 2015 desestabilizou a posição de Angela Markel e do campo conservador e provocou o surgimento de um partido antimuçulmano de extrema-direita.

Muitas vozes têm-se feito ecoar no país contra um cenário semelhante ao de setembro de 2015, quando Merkel abriu as portas do país aos refugiados, nomeadamente da Síria através da "rota dos Balcãs" e retidos na Hungria. Durante anos, os europeus têm-se debruçado sobre esta questão sem conseguirem desenvolver uma política comum de asilo.

PUB

"É uma fraqueza da nossa União Europeia que ainda não tenhamos conseguido criar uma política de asilo comum. Temos de continuar a trabalhar nisto com vigor", admitiu a chanceler, prestes a sair do cargo após quase 16 anos no poder.

Em França, o Presidente, Emmanuel Macron, também apelou à "antecipação" da possível chegada de afegãos e à "proteção contra grandes fluxos migratórios irregulares" que "alimentam o tráfico de todo o tipo".

Além da questão migratória, Merkel expressou preocupação com a situação "extremamente difícil" no Afeganistão e reiterou o interesse da Alemanha em "ajudar" todos aqueles que nos últimos 20 anos apoiaram a missão militar e a delegação diplomática europeia no terreno.

A chanceler acrescentou que a prioridade agora é a operação de evacuação, mas reconheceu que mais tarde devem ser extraídas "lições para o futuro" da missão internacional no Afeganistão, tanto a nível individual, como dentro da NATO.

"Estamos preocupados com as coisas que foram alcançadas - especialmente no que diz respeito às meninas, mulheres, educação e desenvolvimento - nas quais se pode retroceder, porque as coisas evoluíram como evoluíram e os talibãs voltaram ao poder", vincou.

Os comentários de Merkel surgiram logo após a confirmação de que um segundo avião de transporte militar alemão conseguiu aterrar no aeroporto de Cabul para retirar um terceiro grupo de pessoas.

Na noite de domingo, um primeiro grupo de 40 diplomatas alemães deixou Cabul com destino a Doha, no Qatar. O primeiro avião de transporte militar alemão aterrou na segunda-feira à tarde e saiu de madrugada com apenas sete afegãos a bordo.

Os talibãs conquistaram Cabul no domingo, culminando uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO. As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no seu território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001.

A tomada da capital põe fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e dos seus aliados na NATO, incluindo Portugal. Face à brutalidade e interpretação radical do Islão que marcou o anterior regime, os talibãs têm assegurado aos afegãos que a "vida, propriedade e honra" vão ser respeitadas e que as mulheres poderão estudar e trabalhar.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG