Alemanha

Merkel admite que não tinha capacidade para influenciar Putin. "O poder é tudo"

Merkel admite que não tinha capacidade para influenciar Putin. "O poder é tudo"

A ex-chanceler alemã Angela Merkel diz que não tinha capacidade para influenciar Vladimir Putin, um homem para quem o poder é tudo, e defendeu a abordagem "macia" dos líderes europeus em relação ao presidente russo nos meses que precederam a invasão da Ucrânia.

Angela Merkel foi uma presença frequente no Kremlin durante os quatro mandatos no Governo alemã. A chanceler alemã negociou acordos com a Rússia, nomeadamente o gasoduto para trazer diretamente gás para a Alemanha, e era vista como alguém capaz de influenciar o presidente russo, Vladimir Putin. Depois de estourar a guerra na Ucrânia, tem sido acusada de ter andado a alimentar o "urso" e de lhe ter perdido a mão, criando o "monstro".

Em entrevista à revista "Spiegel", a ex-chanceler lembra que tentou marcar um encontro com o presidente russo e o homólogo francês, Emanuel Macron, durante o verão de 2021. Mas falhou. "Não tinha poder para levar a minha avante", disse Angela Merkel, que estava nos últimos meses de 16 anos à frente do Governo alemão. "Todos sabiam que no fim do outono iria embora", observou.

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Merkel deixou a chefia do governo alemão em dezembro. Meses antes, em agosto, fez uma última visita a Moscovo. "O sentimento era muito claro: em termos políticos estava acabada", recordou Merkel àquela revista alemã. "Para Putin apenas o poder conta", sublinhou, deixando subentendido que naquela altura já não tinha como influenciar o presidente russo.

A ex-chanceler alemã lembrou que, nesse último encontro, Putin fez-se acompanhar do ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, quando todas as outras reuniões entre os líderes da Alemanha e da Rússia tinha sido a sós.

Merkel disse, também, que não lamenta ter deixado o governo, considerando que sentia que o Executivo não estava a fazer progressos suficientes, não apenas na crise na Ucrânia, mas também nos conflitos na Moldova, Geórgia, Síria e Líbia. Todos, em comum, o envolvimento da Rússia.

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