Brasil

Mil cruzes em frente ao Congresso recordam a Bolsonaro vítimas da pandemia

Mil cruzes em frente ao Congresso recordam a Bolsonaro vítimas da pandemia

Mil cruzes cravadas em frente ao Congresso brasileiro, como parte de uma manifestação simbólica, recordaram as mais de 57 mil vítimas da covid-19 no Brasil e o "negacionismo" do presidente Jair Bolsonaro.

Durante três horas, as cruzes "decoraram" os amplos jardins em frente à sede do Congresso e que constitui parte da esplanada dos ministérios, a ampla avenida em Brasília onde estão localizados os principais edifícios públicos do país, incluindo o da presidência.

O ato batizado de "Stop Bolsonaro" foi organizado por um movimento de esquerda que se identificou como "Resistência e Ação" e que, desta forma, quis recordar as milhares de vítimas do novo coronavírus no Brasil, o segundo país com mais mortes e infetados com a doença no mundo.

"Mais de 50 mil mortes. Bolsonaro pare de negar", lia-se, em grandes letras, no única inscrição que acompanhava as cruzes cravadas no centro do poder no Brasil.

O líder de extrema-direita é um dos governantes mundiais mais céticos sobre a gravidade da pandemia, chegando a chamar a covid-19 de "gripezinha", defendendo a imediata normalização de todas as atividades e o fim das medidas de distanciamento social impostas pelos governadores e municípios para enfrentar o novo coronavírus.

Segundo o último balanço do Ministério da Saúde, o Brasil contabiliza até este domingo 57.622 óbitos e 1.344.143 casos confirmados de covid-19 desde o início da pandemia, registada oficialmente no país em 26 de fevereiro.

Estes números confirmam o Brasil como o segundo país com mais vítimas e contágios no mundo depois do Estados Unidos, bem como um dos novos epicentros mundiais da pandemia, além de ser a nação que registou a média mais alta de vítimas nos últimos dias.

Apesar de a pandemia continuar a avançar e de o país ainda não ter atingido o pico da curva de contágio, a maioria dos governos regionais e municipais que impuseram medidas de distanciamento para conter a doença já iniciaram processos graduais de desconfinamento.

Outros pequenos atos convocados através das redes sociais com a hashtag #StopBolsonaroMundial, que pediu a renúncia do chefe de Estado e criticou a sua política negacionista perante a pandemia, registaram-se em algumas cidades brasileiras e no exterior, principalmente na Europa.

Em Brasília, onde o protesto incluiu também uma cerimónia ecuménica com a participação de líderes indígenas, os manifestantes pediram ao congresso a abertura de um processo político de destituição contra Bolsonaro.

"Foi um ato para denunciar os responsáveis por este genocídio", afirmou a professora Lucia Iwanow, uma das organizadoras do protesto.

Entre os manifestantes em Brasília destacou-se a presença do ex-ministro Gilberto Carvalho e da deputada federal Erica Kokay, dois importantes dirigentes do Partido dos Trabalhadores, a força política que governou durante 13 anos o país, primeiro com Luís Inácio Lula da Silva (2002-2010) e depois com Dilma Rousseff (2011-2016) no cargo de presidente da República.