França

Milhares de pessoas bloqueiam acessos viários a Paris

Milhares de pessoas bloqueiam acessos viários a Paris

Franceses protestam, este sábado, nas ruas da capital contra medidas anticovid. Milhares de carros bloqueiam várias estradas de acesso à cidade, num movimento inspirado no "comboio da liberdade" canadiano.

Milhares de franceses organizados em vários "comboios da liberdade" tentaram este sábado ultrapassar o bloqueio das forças policiais à volta de Paris. Os manifestantes, oriundos de todo o país, numa junção heterogénea de opositores do presidente Emmanuel Macron e de "coletes amarelos", descreve o jornal francês "Le Monde", passaram a noite em caravanas às portas da capital francesa à espera do momento certo para furar o cerco.

Os 7200 polícias intercetaram pelo menos cinquenta veículos de dois comboios que chegaram separados ao anel viário de Paris, multaram e detiveram centenas de pessoas. Ao início da tarde, um outro comboio conseguiu furar o cordão e rodear o Arco do Triunfo.

As forças de segurança utilizaram gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes opositores ao passe da vacina contra a covid-19, que se reuniram nos Campos Elísios, em Paris, segundo a agência France-Presse.

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Organizados através de redes sociais e aplicações de mensagens, os manifestantes pretendem colapsar os acessos à cidade, apesar dos milhares de agentes, veículos blindados e máquinas para evitar bloqueios. Ao início da tarde, segundo a polícia, 3300 veículos os comboios ocupavam a rede viária em torno de Paris, incluindo mil na nacional 20 (N20) de Órleães e 500 na rodovia 10 (A10-A11) de Mans. É uma ação "de escala fenomenal", congratulou-se uma das coordenadora do movimento, citada pelo "Le Monde".

O movimento "convois de la liberté", inspirado por aqueles que conseguiram bloquear Otava, no Canadá, publicou uma série de exigências nas redes sociais, em torno da rejeição de vacinas e medidas para encorajar as pessoas a tomá-las, tais como o certificado de vacinação.

O movimento dos camionistas canadianos está a ser mimetizado em vários países. Também este sábado, um grupo de camionistas holandeses bloqueou o acesso ao centro de Haia, nos Países Baixos, para protestar contra as restrições aplicadas no âmbito da pandemia.

No Canadá, epicentro do protesto que começou há duas semanas, os manifestantes mantêm o bloqueio na Ponte Embaixador, que liga o país aos EUA, desafiando uma ordem judicial para desocupar o local. A capital Otava continuava também paralisada.

Perturbações na indústria automóvel

O bloqueio durante vários dias da Ponte Embaixador, que liga Windsor, Ontário, à cidade norte-americana de Detroit, levou Washington a apelar ao primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, para resolver a crise.

O encerramento na segunda-feira do importante posto fronteiriço causou perturbações na indústria automóvel de ambos os lados da fronteira.

Apesar de uma decisão do tribunal do Ontário, publicada na sexta-feira, que ordena aos manifestantes que se retirem, mantem-se tudo na mesma no local.

Muitos outros manifestantes também se juntaram na capital Otava, onde as ruas têm estado entupidas com centenas de grandes camiões nas últimas duas semanas, inspirando movimentos semelhantes em França e na Nova Zelândia.

Washington tinha colocado o Governo canadiano sob pressão na quinta-feira ao pedir para usar "poderes federais". E na sexta-feira, durante uma chamada telefónica com Justin Trudeau, o Presidente dos EUA, Joe Biden, falou diretamente das "graves consequências" do bloqueio para a economia dos EUA.

Mais de 25% das mercadorias exportadas entre os Estados Unidos e o Canadá passam por esta fronteira.

* Com agências

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