Migração

Milhares protestam nas ilhas gregas contra campos de refugiados sobrelotados

Milhares protestam nas ilhas gregas contra campos de refugiados sobrelotados

Milhares de pessoas manifestaram-se esta quarta-feira nas ilhas gregas no Mar Egeu para exigir a transferência imediata dos muitos refugiados que vivem em campos sobrelotados naquela região e a suspensão do plano governamental de criar centros em regime de detenção.

As manifestações em Lesbos, Samos e Chios, onde ficam localizados os três maiores campos de processamento e de acolhimento de refugiados (conhecidos como 'hotspots') nas ilhas gregas no Mar Egeu (próximas da Turquia), realizam-se no âmbito de uma jornada de protesto e de paralisação geral convocada para esta quarta-feira pelas autoridades municipais locais.

Habitantes, empresários, comerciantes e funcionários públicos locais aderiram ao protesto, com as agências internacionais a relatar que a maioria das lojas e dos serviços públicos nas três ilhas estavam encerrados.

Em dezembro passado, as autoridades das ilhas já tinham convocado um protesto similar.

Sob o lema "Queremos recuperar as nossas ilhas, queremos recuperar as nossas vidas", as autoridades municipais exigem uma transferência imediata de milhares de refugiados para estruturas no território continental da Grécia, mas também contestam o plano do Governo grego de substituir os atuais campos de refugiados por centros em regime de detenção.

As autoridades locais divulgaram esta quarta-feira que vão na quinta-feira a Atenas para a apresentar ao primeiro-ministro grego, o conservador Kyriakos Mitsotakis, uma carta formal de protesto.

A par dos campos nas ilhas de Lesbos, Samos e Chios, existem outros dois 'hotspots' nas ilhas de Leros e Kos.

Todos estão sobrelotados e as pessoas ali acolhidas vivem em condições muito precárias, segundo as denúncias frequentes de organizações internacionais de defesa dos direitos humanos.

No total, os campos nestas cinco ilhas no Mar Egeu acolhem atualmente mais de 40.000 pessoas em instalações com uma capacidade máxima para 6.300 pessoas.

Uma das piores situações acontece no campo de Moria, na ilha de Lesbos, onde vivem mais de 19 mil requerentes de asilo em condições insalubres. A capacidade máxima deste campo é de 2.840 pessoas.

Em novembro último, o Governo helénico anunciou um plano que previa a substituição dos atuais campos de acolhimento de refugiados nas ilhas gregas por novas estruturas em regime de detenção, ideia que suscitou na altura as críticas de organizações não-governamentais (ONG) e dos autarcas locais.

Segundo a proposta governamental, as novas estruturas terão capacidade para mais de 5.000 pessoas, número contestado pelos responsáveis locais que exigem instalações com uma capacidade limitada a 1.000 pessoas.

Esta reforma ainda não avançou.

Perante a sobrelotação dos campos nas ilhas gregas, o Governo helénico anunciou igualmente a transferência de 20 mil pessoas das ilhas para o território grego continental.

Mas, face à falta de vagas também verificada nas estruturas localizadas na Grécia continental, o número de transferências é, até à data, pouco expressivo.

Mesmo estando ainda longe da fasquia que atingiu em 2015, quando recebeu cerca de um milhão de refugiados, a Grécia voltou a ser em 2019 a principal porta de entrada para a Europa dos migrantes e dos requerentes de asilo procedentes da 'vizinha' Turquia.

As chegadas de migrantes por via marítima à Grécia ultrapassaram em 2019 a fasquia das 62 mil, segundo os dados mais recentes da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

No ano anterior, as chegadas tinham rondado as 32 mil.

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) apontou, por sua vez, que as chegadas por via terrestre à Grécia (através da fronteira com a Turquia) foram mais 14 mil durante o ano passado.

Apenas um pequeno número destes migrantes consegue chegar ao continente, com a maioria a ficar, durante vários meses, nos campos de acolhimento, enquanto aguarda que as autoridades gregas avaliem os pedidos de asilo.

Face ao crescente aumento das chegadas de migrantes e de requerentes de asilo à Grécia, situação que está a colocar o país sob pressão, o Governo grego decidiu, na semana passada, restabelecer o Ministério das Migrações, que tinha sido extinto há cerca de seis meses.

O responsável pela nova pasta ministerial é Notis Mitarakis.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG