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Militar português que desertou uniu-se a milícia polémica

Militar português que desertou uniu-se a milícia polémica

A causa antiterrorista terá motivado o militar português a desertar da Força Aérea para combater o Estado Islâmico. O problema é que Mário Nunes se juntou a uma milícia curda com alegadas ligações terroristas.

Aos 21 anos, Mário Nunes ingressou nas YPG, milícias populares com a missão de proteger os curdos das agressões do Estado Islâmico e do Exército do presidente sírio Bashar al-Assad. Se regressar a Portugal, terá que lidar com as consequências legais do ato de deserção, mas ele próprio poderá vir a ser considerado um terrorista, uma vez que as YPG terão ligações com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o PKK, que consta na lista de terroristas dos Estados Unidos da América.

"A juventude que parte para combater os terroristas - muitos deles nem são militares - é aplaudida por muitos pela sua intenção generosa e louvável", considera o criminalista José Manuel Anes, salientando os casos em que ocidentais se juntam a organizações sem ligações a islamitas radicais. Na sua opinião, tal facto não deverá suscitar consequências legais aquando do regresso destes jovens aos países de origem.

Contudo, ao contrário do que fez Mário Nunes, outros voluntários ocidentais optaram por escolher milícias que lhes garantissem que não seriam suspeitos de terrorismo. Foi o caso de ex-militares norte-americanos e britânicos que revelaram à Reuters terem desistido de ingressar nas YPG, quando aumentaram as suspeitas de que teria laços com o PKK. Optaram então pelas fileiras da Dwekh Nawsha [ver caixa] e foram defender os cristãos perseguidos pelos jiadistas no Iraque.

Foi o caso de Tim. "Estou aqui para fazer a diferença e espero colocar um fim a algumas atrocidades", disse o o ex-militar de 38 anos. "Sou apenas um inglês normal, na verdade." Um inglês normal que fechou o negócio, vendeu a casa e foi lutar contra alguns dos mais temidos criminosos do mundo.

Um padre cristão de Bagdade já desaconselhou estes voluntários a juntar-se a milícias contra os jiadistas. "Os cristãos não têm jeito para combater", disse padre Canon Andrew White. Recentemente, um norte-americano que regressou de uma milícia antijiadista acusou estes grupos de se limitarem a dar uma arma para as mãos dos voluntários e os enviarem para a frente de batalha com: "Boa sorte, companheiro".

O JN contactou o Ministério dos Negócios português mas não recebeu qualquer resposta.

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