Tanzânia

Mina que produziu diamante da Rainha de Inglaterra acusada de abusos a trabalhadores

Mina que produziu diamante da Rainha de Inglaterra acusada de abusos a trabalhadores

A poeira dos últimos escândalos envolvendo a mina de diamantes Williamson Diamonds Ltd (WDL), na Tanzânia, ainda não tinha assentado e eis que surgem novas alegações.

Depois de, há alguns meses, uma empresa de advogados britânica e uma ONG de defesa de direitos humanos terem dado contra de "graves" abusos cometidos por seguranças contra trabalhadores da mina, estão em curso novas investigações.

A empresa britânica Petra Diamonds, dona da mina que produziu um diamante cor-de-rosa de 54 quilatas para um alfinete de peito da Rainha Isabel II, está a investigar novas alegações levantadas pela organização de caridade britânica "Rights and Accountability in Development" ("Direitos e responsabilidade no desenvolvimento", em português). Em causa estão agressões e ataques com armas, envolvendo pessoal da empresa de segurança privada da Zenith Security, entre novembro de 2020 e janeiro de 2021. Um dos incidentes terá ocorrido numa noite de dezembro, quando um mineiro foi alegadamente perseguido e baleado à queima-roupa por um segurança. Segundo denunciou o funcionário à organização, quando recuperou a consciência tinha um segurança de pé em cima dele e o queixo partido.

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Em comunicado divulgado no mês passado, a empresa descreveu as alegações de abusos de direitos humanos como "profundamente preocupantes". Mas disse não ter encontrado evidências de uso injustificado da força durante esses três meses, período durante o qual foram registadas 79 "incursões" no terreno da mina, 19 das quais exigiram "força razoável" para remover os mineiros ilegais das instalações ou para os seguranças se defenderem.

Sobre o caso do disparo acima apresentado, não houve confirmação. "Nenhum confronto com mineiros ilegais foi relatado pela Zenith ou pela WDL na noite em questão, sem feridos relatados e sem disparos de tiros", lê-se na nota, que acrescenta que "os registos de armas de fogo e balas de borracha mantidos pela Zenith indicam que nenhuma bala foi disparada nessa noite." Contactada pelo "The Guardian", a Zenith Security não respondeu aos pedidos de esclarecimento.

Chefes suspensos e novas conclusões em breve

Em resposta a outras alegações, a empresa britânica notou que, "lamentavelmente, os encontros entre as patrulhas de segurança, compostas por elementos da Zenith e pela Polícia da Tanzânia, e os mineiros ilegais resultaram em ferimentos em todos os lados". "Tragicamente, algumas mortes de mineiros ilegais também foram relatadas e estão a ser investigadas por um consultor externo especialista como parte de uma investigação mais ampla", pode ler-se.

Enquanto se aguarda o resultado da investigação, a Petra suspendeu o chefe de segurança e chefe de serviços gerais da mina e abriu uma licitação para contratar uma nova empresa de segurança, visando a substituição da atual. Também forneceu formação em segurança e direitos humanos aos funcionários da Zenith, implementou um mecanismo de reclamações e está a planear um projeto por meio do qual a população local poderá cavar diamantes de forma controlada e legal. Promete, para fim de março, novas informações sobre a investigação em curso.

Acusações anteriores

Em setembro passado, a firma de advogados britânica Leigh Day moveu uma ação judicial no Supremo Tribunal de Londres contra a dona da mina, apresentando queixas em nome de 35 tanzanianos, que alegavam terem sido espancados ou baleados, ou serem familiares de vítimas. Na altura, a Petra Diamonds, cuja subsidiária WDL possui 75% da mina (o Estado da Tanzânia possui os outros 25%), assegurou vender "diamantes éticos" e garantiu estar a levar as alegações "extremamente a sério", investigando o caso internamente.

Dois meses depois, a empresa lançou outra investigação sobre acusações semelhantes levantadas pela "Rights and Accountability in Development", que, com base numa investigação realizada entre setembro de 2019 e novembro de 2020, denunciou que mineiros ilegais estavam a ser detidos, torturados e espancados por seguranças da mina, havendo, de 2009 até ao momento, 10 mortes a lamentar.

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