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Ministério Público pede 14 anos de prisão para mãe que partiu para a Síria

Ministério Público pede 14 anos de prisão para mãe que partiu para a Síria

O Ministério Público francês pediu 14 anos de prisão para uma mãe que partiu para a Síria em 2014, com o seu companheiro e os quatro filhos menores, para integrar as fileiras do grupo extremista Estado Islâmico.

Jihane Makhzoumi, de 38 anos, está a ser julgada desde segunda-feira por associação terrorista, sequestro de crianças e abandono de menores.

"Esta partida para a Síria, não é absolutamente um acidente de percurso, é o culminar de anos de radicalização", realçou durante o julgamento em Paris o representante do Ministério Público que também salientou a intenção de "ocultar" a partida.

Em agosto de 2014, Makhzoumi saiu de França com o seu companheiro, Eddy Leroux, que se radicalizou e alegadamente foi morto num combate na Síria, com três meninas de anteriores relacionamentos - com idades entre os 3 e os 5 anos - e com o seu bebé de três semanas.

Jihane Makhzoumi e o seu companheiro juntaram-se ao grupo extremista Estado Islâmico (EI) na cidade de Raqqa.

Em 10 de outubro de 2016, Makhzoumi foi detida no aeroporto de Roissy (Paris), quando regressava da Síria com os seus três filhos, mas sem a filha que teve com o então companheiro. Há mais de três anos que ninguém tem informações dessas crianças.

"A vida dos seus próprios filhos não importa muito em comparação com o seu plano (de partida na Síria)", indicou o representante da acusação.

Para o representante, mesmo que Jihane Makhzoumi não tenha combatido no local, a qualificação da associação criminosa terrorista é particularmente adequada devido ao "papel fundamental das mulheres dentro do Estado Islâmico", nomeadamente no "acompanhamento de 'mujahideen' [combatentes]" e na sua responsabilidade "para dar à luz os futuros 'filhos de leão do califado'".

"Não consigo discernir nenhuma vontade real de regressar antes de 2016", sublinhou o procurador que evocou um processo "desconcertante" devido à emoção em torno do desaparecimento da menor Jana.

"Este julgamento permanecerá nos anais da justiça como o julgamento de Jana, o julgamento de todas as crianças levadas, sem conhecimento, para uma zona de guerra", afirmou a advogado da parte civil, Samia Maktouf, denunciando uma "postura de fachada e de negação" da acusada.