Alemanha

Ministra alemã fica sem título de doutora por ter plagiado tese

Ministra alemã fica sem título de doutora por ter plagiado tese

A Universidade de Dusseldorf, no oeste da Alemanha, decidiu esta terça-feira retirar o título de doutora à ministra alemã da Educação, Annette Schavan, acusada de ter plagiado a sua tese de doutoramento.

O Conselho Académico competente declarou inválido o título obtido há 3 anos e decidiu, por 12 votos a favor, dois contra e uma abstenção, retirar o doutoramento à ministra, disse o presidente da entidade, Bruno Bleckmann.

O Conselho da Faculdade de Filosofia considerou provado que Schavan, de 56 anos, incluiu "de forma sistemática e premeditada" na sua tese doutoral um trabalho intelectual que não é seu.

A ministra democrata-cristã, que se encontra na África do Sul, em viagem de trabalho, vai recorrer da decisão, anunciaram os seus advogados.

O escândalo sobre a tese de Schavan ganhou relevo mediático em meados de outubro último, quando o semanário Der Spiegel divulgou um relatório técnico que indicava que a tese, apresentada em 1980 com o título "Pessoa e Consciência", tinha "características próprias de plágio".

Esta análise de um auditor ratificava as acusações lançadas meses antes a partir de um blogue anónimo, intitulado Caçadores de Plágios.

As suspeitas sobre a ministra sucedem ao caso protagonizado pelo ex-ministro da Defesa, o aristocrata bávaro Karl Theodor zu Guttenberg, que se demitiu em março de 2011, depois de reconhecer que tinha cometido "erros".

O caso de Guttenberg, a quem a Universidade bávara de Bayreuth (Baviera) retirou o título, gerou duras críticas no âmbito académico e político.

Entre as críticas mais devastadoras estiveram as da própria Schavan, que afirmara então que o caso a envergonhava, tanto como membro do governo como pessoalmente.

Pouco depois do caso Guttenberg, a Universidade de Heidelberg, no sul alemão, retirou o título de doutora à deputada europeia do Partido Liberal (FDP), Silvana Koch-Mehrin, que na sequência renunciou à vice-presidência do parlamento Europeu, depois de se revelar que também tinha plagiado na sua tese.

Antes, também outro deputado europeu do FDP, Jorgo Chazimar-Kakis, tinha sido despojado do seu título de doutor pelas mesmas causas.