Pandemia

Ministro da Saúde espanhol deixa cargo durante pandemia para focar-se na carreira política

Ministro da Saúde espanhol deixa cargo durante pandemia para focar-se na carreira política

Os códigos da Marinha ditam que o capitão será sempre o último a abandonar o navio, porém no que diz respeito à política isto nem sempre se verifica. O ministro da Saúde espanhol, Salvador Illa, abandonou esta terça-feira o seu cargo para focar-se na sua candidatura à Presidência da Catalunha, nas eleições regionais do próximo 14 de fevereiro. Um ano após ter entrado no primeiro Governo de coligação da história de Espanha, o dirigente socialista sai pela porta das traseiras, agora para dar mais um passo na sua carreira política, deixando por acabar uma tarefa tão complexa como a gestão de uma pandemia sem precedentes.

A polémica decisão do antigo ministro de Saúde de concorrer como cabeça de lista do Partido Socialista Catalão (PSC), no lugar do secretário Miquel Iceta, mudou completamente o cenário eleitoral, provocando inumeráveis críticas em Madrid e Barcelona, exigindo-lhe uma demissão imediata. Illa aguentou a pressão política da oposição e cumpriu a sua promessa de só abandonar o cargo com o aproximar da campanha eleitoral catalã, que começa esta quinta-feira. Ainda assim, a sua saída chega no pior momento da pandemia. Os 93.882 novos casos serviram para Espanha bater um novo recorde de casos no fim de semana, enquanto a taxa de incidência também atingiu o seu ponto mais alto, com 884 casos por 100 mil habitantes. Por outro lado, há pelo menos 30 mil doentes nos hospitais e o 40% das unidades de cuidados intensivos estão ocupados por pessoas infetadas com covid-19.

As últimas decisões de Illa à frente da pasta da Saúde foi descartar um confinamento domiciliário e recusar a petição de várias regiões autónomas de antecipar o recolher obrigatório para as 20 horas, de forma a tentar abrandar uma terceira onda que parece não ter atingido ainda o pico. A falta de material sanitário, a gestão dos lares de idosos, a ausência de uma estratégia comum de combate à pandemia e os constantes atrasos na campanha de vacinação foram outras das principais falhas de um ministro que se despediu esta manhã do Conselho de Ministros. "Foi uma honra servir todos os espanhóis e vou embora com muita pena. Levo comigo a todas as famílias que sofrem esta doença e também a todas as pessoas que perderam um ente querido".

O adeus de Illa também provocou movimentos dentro do próprio executivo. Quem vai ficar com a batata quente que vai sobrecarregar o Ministério de Saúde nos próximos tempos é Carolina Arias, até agora Ministra da Função Pública, e Miquel Iceta, antigo secretário socialista em Catalunha, vai ocupar o cargo deixada pela política das Canárias.

Comícios em espera

A incerteza continua a envolver os comícios catalães, depois da resolução do Tribunal Supremo de Justiça da Catalunha de suspender o decreto do "Govern", que decidiu adiar, graças ao apoio da maioria dos partidos políticos, com a exceção do PSC, as eleições de fevereiro para o próximo 30 de maio. Portanto, esta decisão volta a fixar o dia 14 de fevereiro como data eleitoral, para que os catalães decidam nas urnas quem vai ser o novo presidente da Generalitat, após a inabilitação de Quim Torra e o período de transição atual com Pere Aragonés. Porém, os recursos apresentados pelo executivo e um aumento das restrições podem mudar novamente a postura da Justiça, que só vai emitir a sua sentença definitiva no próximo dia 8 de fevereiro.

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