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Ministro diz que citação de Bolsonaro no assassínio de Marielle é disparate

Ministro diz que citação de Bolsonaro no assassínio de Marielle é disparate

O ministro da Justiça do Brasil, Sergio Moro, disse esta quinta-feira que a citação do nome do presidente do país, Jair Bolsonaro, nas investigações sobre o assassínio da ativista Marielle Franco é um disparate.

"Este é um caso que tem que ser investigado com neutralidade, dedicação e sem politização. Esta questão do envolvimento do nome do Presidente, para mim, é um total disparate. É uma coisa que não faz nenhum sentido", afirmou Moro em entrevista à rádio CBN.

"O que se constatou é um possível envolvimento fraudulento do nome do Presidente na investigação" acrescentou.

Nos primeiros depoimentos cedidos à polícia, um porteiro declarou aos investigadores que um dos suspeitos do homicídio de Marielle Franco, o ex-polícia Élcio Queiroz, já formalmente acusado de ter sido um dos autores materiais do crime, foi ao condomínio Vivendas da Barra no dia do crime e disse que queria visitar Bolsonaro, então membro da câmara baixa parlamentar.

Na ocasião, o porteiro relatou que alguém de casa de Jair Bolsonaro autorizou a entrada, mas Queiroz acabou por dirigir-se à residência de Ronnie Lessa, um outro ex-polícia acusado de balear Marielle Franco e que vive no mesmo condomínio em que o chefe de Estado tem duas casas, no Rio de Janeiro.

Na última quarta-feira, os 'medias' brasileiros informaram que o porteiro deu um novo depoimento à Polícia Federal e mudou a sua versão dos factos admitindo que errou ao citar o nome do Presidente brasileiro no caso do homicídio da ativista.

O assassínio a tiro de Marielle Franco e do motorista, Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018, gerou uma grande comoção no Brasil.

A vereadora destacou-se pelo seu trabalho como defensora dos direitos humanos, e pelas suas denúncias contra a violência policial no Rio de Janeiro.

As investigações à sua morte continuam a decorrer desde há 20 meses, tendo sido para já detidos os dois alegados autores materiais, mas falta ainda determinar quem foi o autor moral.