Odebrecht

Ministro demite-se após fracasso de destituição do presidente do Peru

Ministro demite-se após fracasso de destituição do presidente do Peru

O ministro do Interior do Peru, Carlos Basombrio, apresentou esta sexta-feira a demissão, um dia depois do fracasso da tentativa de destituição do presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, por alegadas ligações à empresa brasileira Odebrecht.

Carlos Basombrio divulgou, através da sua conta pessoal na rede social Twitter, que o chefe de Estado peruano aceitou a sua demissão e que esta "será efetiva após a época festiva (Natal e Ano Novo) para que exista uma transição ordenada".

O titular da pasta do Interior já tinha apresentado a sua carta de demissão na semana passada, depois do agendamento de uma moção de censura no Congresso peruano (parlamento) para tentar destituir Pedro Pablo Kuczynski.

Na altura, o presidente não aceitou a demissão de Basombrio, tendo afirmado que ia tentar convencer o ministro a ficar.

"Não vou responder a especulações por falsas ou certas que sejam sobre os motivos da minha renúncia e sobre o que aconteceu nos últimos dias", escreveu Basombrio.

O ministro demissionário acrescentou que deseja "o melhor" para o Peru e que os atuais problemas sejam enfrentados "no enquadramento da lei e com pleno respeito pelas instituições".

O Congresso peruano chumbou, na quinta-feira, a moção apresentada pela oposição para destituir Pedro Pablo Kuczynski, por alegada "incapacidade moral permanente" pelas suas ligações à construtora brasileira Odebrecht.

Após uma longa sessão plenária, que se prolongou por mais de 13 horas, a moção para destituir Kuczynski acabou rejeitada, uma vez que apenas obteve 79 votos a favor, falhando o apoio mínimo de 87 dos 130 deputados previsto por lei.

Pedro Pablo Kuczynski foi questionado no Parlamento sobre os contratos de assessoria financeira que a sua empresa (Westfield Capital) assinou com a brasileira Odebrecht entre 2004 e 2007.

Na altura, Kuczynski era ministro da Economia do governo de Alejandro Toledo (2001-2006).

Tanto o presidente peruano como a Odebrecht argumentam que os contratos são legais e que foram negociados exclusivamente com o empresário chileno Gerardo Sepúlveda, que administrava a Westfield Capital na altura que Kuczynski era ministro.

O caso Odebrecht está a afetar quase toda a primeira linha política do Peru devido a alegados subornos pagos entre 2005 e 2014 em troca de adjudicações de grandes contratos de obras públicas, além de financiamentos às campanhas eleitorais dos principais candidatos.

Este período cobre os mandatos presidenciais de Alejandro Toledo (2001-2006), com mandado de captura por alegadamente ter recebido um suborno de 20 milhões de dólares; Alan García (2006-2011), implicado no processo de entrega de donativos ao Metro de Lima; e Ollanta Humala (2011-2016), que foi preso por suposto financiamento irregular das suas campanhas.

A rejeição na quinta-feira por parte do Congresso do pedido de destituição de Pedro Pablo Kuczynski encerra uma intensa semana de crise política no Peru, que ficou marcada por protestos nas ruas contra a corrupção no país.

Outros Artigos Recomendados