Fórum La Toja

Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia pede mais ajuda: "Não podemos ter medo de encurralar Putin"

Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia pede mais ajuda: "Não podemos ter medo de encurralar Putin"

O Ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, lançou esta quinta-feira, durante uma intervenção por videoconferência no Fórum de La Toja, na Galiza, um forte apelo à união mundial para "travar e por fim ao sentimento de impunidade" de Vladimir Putin.

Kuleba agradeceu "a ajuda financeira, humanitária e militar" que tem sido prestada à Ucrânia pelo governo de Espanha e pediu o reforço do apoio e armas "a mais países". Considerou que a guerra que se arrasta há sete meses, após a invasão russa, chegou a um "momento-chave". "Não podemos ter medo de encurralar Putin", asseverou.

"Só há um modo de proteger os nossos valores fundamentais. É garantir o fim dessa impunidade de Putin. É colocar a Rússia no seu lugar. Fazê-la prestar contas e isso consegue-se com a vitória da Ucrânia. É fundamental que restaure a sua integridade territorial, através de meios diplomáticos e militares", justificou Dmytro Kuleba. "Só assim conseguiremos que esses invasores russos sejam julgados por crimes de agressão e genocídio". Acrescentou ainda que "é preciso reconhecer a Rússia como um estado responsável de terrorismo", defendeu.

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O ministro ucraniano aludiu às "tentativas vergonhosas de expropriar territórios", considerando que "o único motivo porque Putin está a fazer isto é a sua sensação de impunidade, porque sempre conseguiu levar a sua adiante [na Geórgia em 2018 e Donbass em 2013]".

"Agora estamos a deparar-nos com um monstro que está a atacar, não só a Ucrânia, como toda a civilização atlântica. Está a afetar a Europa, a América, a Ásia, a África, todos os estados que defendem a carta dos princípios humanos. Estamos todos a ser ameaçados, se Putin conseguir levar a sua adiante", declarou, indicando que "os objetivos tem de ser claros e há que dar passos decisivos". "Este é um momento chave para defender o que é correto. Não há outra palavra para descrever o que Putin está a fazer, senão erro. O principal ataque depois da II guerra mundial, a tortura e morte de civis. Trezentos e noventa e cinco crianças foram assassinadas pela invasão russa até agora", explicou.

Para Dmytro Kuleba o líder russo "está a perder no campo de batalha e está a lançar todas as suas cartas sobre a mesa com o objetivo de difundir o medo". "Temos de rejeitar as suas ameaças. A única resposta correta é mostrar um apoio ainda mais forte à Ucrânia. Reconhecer a Rússia como um estado responsável de terrorismo. Transferir os ativos da Rússia de maneira a que se vá embora", defendeu.

"A luta a favor da Ucrânia não é caridade. É a defesa dos valores transatlânticos neste mundo. Isso pressupõe o fortalecimento dos músculos militares da Ucrânia. É o melhor investimento que podem fazer as nações da América e da Europa". É um investimento, na realidade, nos seus próprios sistemas e haverá consequências ainda piores para todos. Putin tem de ser travado e vencido, pelo interesse de todos", concluiu.

O Fórum La Toja, que começou esta quinta-feira, dedicou o seu prémio anual "ao povo ucraniano". Foi entregue pelo Rei de Espanha ao embaixador da Ucrânia em Espanha.

Dmytro Kuleba, que participou via videoconferência no primeiro painel do Fórum de La Toja, moderado pelo responsável daquele evento, Josep Piqué, e com a participação do ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, agradeceu o galardão. "O povo ucraniano, os nossos homens e mulheres merecem", disse.

O seu homólogo espanhol, José Manuel Albares, interveio, após Kuleba, considerando que "Vladimir Putin era o único que queria esta guerra e é o único que a mantém viva". E defendeu que "a unidade e a coesão", além de mais ajuda militar e humanitária à Ucrânia, é o que que há "a fazer e dá segurança que Putin não ganhará esta guerra". "Se nos mantivermos unidos conseguiremos", afirmou, prevendo que "os próximos meses serão complicados", mas que Espanha "levantará a voz para rejeitar" a ação de Putin e apelar ao tribunal internacional para condenar "estes crimes de guerra".

Mostrou-se convicto que, "em breve, Ucrânia será um país livre" e "a União Europeia estará na primeira linha da sua reconstrução".

Josep Borrell, vice-presidente Comissão Europeia, que participará num dos painéis do fórum galego, amanhã, foi chamado a intervir a partir da assistência e comentou quanto ao "futuro da arquitetura europeia e reconstrução da Ucrânia", que "vai ser muito difícil sentar-nos com Putin depois desta guerra". Indicou que há três condições primordiais nesse processo, "recuperar a soberania da Ucrânia, atribuir responsabilidades [à Rússia] pelas consequências económicas e rendição de contas".

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