54.º dia de guerra

Mísseis matam em toda a Ucrânia e Rússia elogia soldados por "heroísmo" em Bucha

Mísseis matam em toda a Ucrânia e Rússia elogia soldados por "heroísmo" em Bucha

Os dias passam e os ataques intensificam-se. Ao 54.º dia de guerra, caíram mísseis em Lviv, Kharkiv e Dnipro. Mariupol resiste às batalhas intensas. Depois da condenação mundial às atrocidades vistas em Bucha, onde foram encontradas dezenas de civis mortos nas ruas e em valas comuns, Putin condecorou os seus soldados pelo seu "heroísmo" e "coragem". Os pontos-chave de mais um dia de guerra:

- Bombardeamentos durante a noite fizeram pelo menos sete mortos em Lviv. Entres eles, havia uma criança. Quatro mísseis atingiram a região: três atingiram armazéns e um caiu numa oficina de reparação automóvel. Depois do ataque, o autarca da cidade acusou a Rússia de genocídio. "É uma destruição deliberada de ucranianos", afirmou.

-Os ataques não se ficaram por aí. Em Kharkiv, duas pessoas morreram depois de a Rússia ter atacado o distrito de Osnovyansky. Foram abertos processos criminais após o incidente, acrescentando que as bombas caíram em parques infantis perto de prédios residenciais. Além disso, militares russos também dispararam contra várias instalações médicas em Kharkiv, destruindo o centro perinatal. Na mesma cidade, um vídeo mostrou uma pessoa a escapar por pouco a um bombardeamento. Veja aqui.

- Já em Dnipro, dois mísseis atingiram os distritos de Synelnykiv e Pavlograd e feriram duas pessoas.

- Apesar da condenação generalizada da invasão da Ucrânia pela Rússia, Putin assinou um decreto oficial a conceder à 64ª Brigada de Fuzileiros Motorizados o título de "Guardas" por defender os "interesses da Pátria e do Estado" e elogiou o "heroísmo e valor de massa, tenacidade e coragem" dos seus membros. Esta brigada está a ser acusada de cometer atrocidades em Bucha, perto da capital, Kiev.

- Estes ataques surgem numa altura em que a Rússia se está a focar na região de Donbass. Em Lugansk, o chefe da administração militar regional, Serhii Haidai, disse que há "múltiplas intensificações de bombardeamentos com todos os tipos de armas, tentativas de invadir as cidades". As tropas ucranianas retiraram-se de Kreminna, uma cidade importante, porque "já não fazia sentido ficar ali. Simplesmente morreriam e não adiantaria nada". Segundo o Ministério da Defesa ucraniano, as forças russas completaram o reagrupamento de tropas para lançar uma ofensiva no leste da Ucrânia.

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- Em Mariupol, o "inferno na Terra", as batalhas continuam. O comandante da unidade de fuzileiros navais ucranianos na cidade sitiada de Mariupol escreveu uma carta ao Papa Francisco, pedindo que salve as pessoas que permanecem na cidade sob fortes bombardeamentos. Entretanto, a vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshchuk, apelou diretamente à liderança da Rússia para abrir um corredor de evacuação da cidade portuária.

- A Ucrânia suspendeu, pelo segundo dia consecutivo, a retirada de civis de cidades da linha da frente no leste do país, acusando as forças russas de bloquear e bombardear as rotas de fuga.

- A Ucrânia divulgou um pedido do líder da oposição, Viktor Medvedchuk, para ser trocado por defensores de Mariupol, enquanto a Rússia mostrava dois prisioneiros britânicos a apelar a Londres para negociar a sua troca pelo mesmo deputado pró-russo.

- O Kremlin acusou a Ucrânia de mudar a sua posição em questões que já foram acordadas nas negociações de paz. "Infelizmente, o lado ucraniano não é consistente em termos dos pontos que foram acordados", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. "Muitas vezes está a mudar de posição e a tendência do processo de negociação deixa muito a desejar."

- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que a política de sanções do ocidente devido à invasão da Ucrânia fracassou, já que a economia russa "está a estabilizar", enquanto o nível de vida dos europeus está "a descer".

- A Rússia acusou a Ucrânia de estar a preparar ataques a igrejas durante a Páscoa ortodoxa em várias regiões ucranianas, com apoio ocidental, para culpar as forças russas de atrocidades contra civis.

- Moscovo expulsou funcionários da embaixada búlgara, disse o Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Entretanto, Espanha anunciou que pretende reabrir a embaixada espanhola na capital ucraniana "dentro de poucos dias".

- A ONU confirmou que pelo menos 2072 civis morreram e 2818 ficaram feridos na guerra da Ucrânia.

- O número de crianças que morreram na Ucrânia desde que os russos invadiram o país chegou a 205, segundo dados publicados pela Procuradoria-Geral ucraniana. Mais de 362 crianças ficaram também feridas.

- Mais de 4,9 milhões de ucranianos já fugiram do país devido à guerra. Além disso, quase 215 mil cidadãos de países terceiros também fugiram para países vizinhos. Isto significa que mais de cinco milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde o início da guerra, uma das crises humanitárias e deslocamentos de mais rápido crescimento de todos os tempos.

- Portugal aceitou 31 543 pedidos de proteção temporária de cidadãos ucranianos e estrangeiros residentes naquele país, desde o início da ofensiva russa na Ucrânia.

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