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Mohamed Merah recusou cometer atentado suicida para al-Qaeda

Mohamed Merah recusou cometer atentado suicida para al-Qaeda

Mohamed Merah, o suspeito de matar três crianças e quatro adultos na região francesa de Toulouse, recusou cometer um atentado suicida para a al-Qaeda mas aceitou uma "missão geral" de um atentado em França. A revelação foi feita pelo ministro do Interior, Claude Guéant, quando já se sabia que o jovem, nas negociações com a Polícia, se identificou como "guerreiro" da al-Qaeda e lamentou "não ter feito mais vítimas".

O homem, que se mantém cercado pela polícia num prédio de Toulouse, "explicou de que forma recebeu instruções da al-Qaeda durante a sua estadia no Paquistão, foi-lhe mesmo proposto provocar um atentado suicida que ele recusou mas aceitou uma missão geral para cometer um atentado em França", detalhou o ministro francês.

Mohamed Merah, de 23 anos, reivindicou os três ataques na região de Toulouse e disse ter agido "sozinho". Durante as negociações com a polícia, Merah disse que pretendia render-se ao "fim do dia", nesta quarta-feira, detalhou o procurador de Paris, François Molins, durante uma conferência de Imprensa.

O suspeito de matar três crianças e quatro adultos, entre estes três militares, teria preparado já outro ataque para esta quarta-feira. A revelação foi sido confiada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, num encontro com líderes religiosos judeus, que revelaram esta informação à agência France Press.

A agência noticiosa francesa adiantou que "um militar" era o próximo alvo do suspeito, segundo informação de fonte próxima do processo. "Já tinha escolhido o militar que pretendia matar, esta quarta-feira", acrescenta o "Nouvel Observateur".

Além das três crianças e do adulto mortos a tiro em frente a uma escola judaica em Toulouse, Mohammed Merah é, ainda, suspeito de matar três militares, um a 11 de março e dois no dia 15.

O jovem foi encontrado escondido numa casa no distrito de Croix-Daurade, perto da escola onde na segunda-feira três crianças judias e um rabino foram mortos a tiro. Está barricado desde o início da ação policial, às 3.30 horas da madrugada (2.30 em Portugal continental).

Mohammed Merah foi presente a tribunal, em França, há 15 dias, por conduzir sem carta. Segundo o advogado do suspeito, o jovem é "afável e educado" e está, ainda, referenciado por pequenos furtos e alguns atos menores de deliquência.

Os serviços de contraterrorismo franceses já teriam Mohammed Merah debaixo de mira, mas não conseguiram evitar os atentados de que é suspeito. O homem, de 24 anos, disse a um agente ser membro da al-Qaeda.

O jovem terá fugido de uma prisão em Khandahar, no sul do Afeganistão, durante uma fuga em massa de talibãs, conta a agência de notícia Reuters. Mohammed Merah foi detido em 2007 e estava a cumprir uma pena de três anos acusado de colocar bombas em Khandahar. Segundo Gulam Farooq, diretor da prisão daquela cidade do sul do Afeganistão, Merah escapou em 2008, durante uma fuga de centenas de talibãs.

Segundo o jornal francês "Le Monde", Mohammed Merah esteve duas vezes no Paquistão, em 2010 e 2011, para fazer formação nos campos de treinos de radicais islâmicos na zona tribal daquele país, fronteiriço ao Afeganistão.

O ministro francês explicou que o jovem é de origem argelina e tem nacionalidade francesa. Reside em Toulouse e viajou anteriormente para o Afeganistão e Paquistão, "tendo laços com pessoas do salafismo e jihadismo".

"Repete o seu compromisso com a al-Qaeda e com grupos jihadistas", salientou o ministro Claude Guéant, que se encontra no bairro de Cote Payé, onde está a decorrer a operação policial para a captura do suspeito.

O governante informou que o irmão do suspeito dos ataques, que causaram sete mortos nos últimos dias na região, já foi detido, assim como a mãe de Mohammed Merah, que terá recusado ajudar a polícia nas negociações, alegando não ter influência sobre o jovem.

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