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Molenbeek de novo sob os holofotes com detenção de Abdeslam

Molenbeek de novo sob os holofotes com detenção de Abdeslam

A já tristemente famosa comuna de Molenbeek, em Bruxelas, voltou esta sexta-feira a estar sob os holofotes, incluindo das televisões que acompanhavam um Conselho Europeu, após as notícias da detenção do presumível cérebro dos atentados de Paris, Salah Abdeslam.

Com a operação ainda em curso ao princípio da noite, um cordão policial estava a barrar o acesso a várias ruas do baixo, obrigando os residentes, como Lamya, a ocupar o seu tempo até terem autorização de voltar a casa.

Num "snack" de comida halal (especificamente dirigida aos muçulmanos) em Molenbeek, Lamya aguarda com o seu filho e outras vizinhas autorização para voltar a casa.

À agência Lusa, contou que apanhou o autocarro e foi buscar o filho à escola sem se aperceber de qualquer movimentação ou problema, e quando se encaminhava para casa um polícia disse-lhe que não podia seguir e "tinha de circular".

"As únicas explicações que tenho tido são dos jornalistas", disse, enquanto olhava para o ecrã da televisão do "snack", que dava as últimas informações e recordava a operação desta semana em Forest, que esteve na origem do sucesso da captura de Salah Abdeslam.

Lamya garantiu que esta zona, onde reside, "foi sempre muito pacata", apontando que as anteriores operações que se sucederam desde os ataques de Paris de 13 de novembro "foram noutra zona de Molenbeek".

"Este é um quarteirão pacífico", assegurou Lamya, que já decidiu que o filho vai jantar algo no "snack", pois não sabe ainda quando poderão regressar a casa, uma casa onde, garantiu, continuará a viver, apesar da má fama da comuna, que volta uma vez mais a abrir noticiários um pouco por todo o mundo devido às suas ligações ao terrorismo e movimento jihadista.

Molenbeek tornou-se tristemente famosa nos últimos meses depois de investigações a diversos ataques terroristas, os últimos dos quais em Paris, terem conduzido a polícia à comuna situada a menos de cinco quilómetros das sedes da União Europeia, em Bruxelas.

Classificada hoje em dia pela imprensa internacional, mas também belga, como "placa giratória dos 'jihadistas'", "ninho de terroristas", ou "nicho de islamitas radicais", Molenbeek-Saint-Jean, uma das 19 comunas de Bruxelas, que se estende por uma área de cerca de seis quilómetros quadrados, já foi próspera em tempos e era mesmo conhecida como "Le Petit Manchester", por ser um dos principais centros industriais da região.

Hoje, é das zonas mais pobres de Bruxelas, com uma taxa de desemprego que ultrapassa os 40 por cento entre os jovens, é das comunas com maior densidade populacional, com cerca de 97 mil habitantes, na sua esmagadora maioria (cerca de 80%) muçulmanos, designadamente marroquinos e turcos, muitos dos quais já de segunda ou mesmo terceira geração.

*agência Lusa