Covid-19

Moradores de bairros de Madrid protestam no domingo contra restrições

Moradores de bairros de Madrid protestam no domingo contra restrições

Associações de moradores de vários bairros de Madrid afetados pelas restrições de mobilidade, "ineficazes e discriminatórias", que entram em vigor na segunda-feira para tentar conter a pandemia da covid-19, convocaram concentrações e protestos para domingo.

De acordo com a Federação das Associações de Moradores de Madrid (FRAVM, sigla em castelhano), num comunicado citado pela agência EFE, grupos de vizinhos têm promovido nas redes sociais a convocatórias destes protestes "pela dignidade do Sul" (de Madrid) e para exigir mais investimentos nos seus bairros.

A maioria dos protestos estão marcados para domingo às 12 horas locais (11 horas em Portugal continental) nos bairros de Villaverde Bajo, Villaverde Alto, Puente de Vallecas, Villa de Vallecas, Carabanchel Alto, Carabanchel Bajo, Arganzuela e Ciudad Lineal-San Blas.

Para a mesma hora estão também convocados protestos em localidades do sul da Comunidade Autónoma de Madrid, como Getafe, Parla e Fuenlabrada contra as restrições anunciadas na sexta-feira.

Para as 19 horas locais (18 horas em Portugal continental) estão marcadas concentrações em frente às juntas dos bairros de Usera e Latina, mas, de acordo com a FRAVM, outros bairros e municípios afetados "irão juntar-se aos protestos".

As manifestações serão "pacíficas" e apela-se aos participantes que "respeitem as medidas de segurança e distanciamento social".

A FRAVM "compreende e apoia estas ações, resultado do mal-estar gerado nos bairros mais humildes por uma gestão desastrosa da pandemia da covid-19 por parte dos governantes".

Em quase todas as zonas afetadas os moradores "estão a demonstrar o seu apoio aos protestos, consonante com a postura contra os confinamentos seletivos expressa nos últimos dois dias e que inclui o chamado 'Manifesto pela Dignidade do Sul perante a segunda vaga'".

Estas mobilizações seguem-se à concentração de sexta-feira na Porta do Sol, para protestar contra os confinamentos seletivos anunciados pela presidente da comunidade autónoma de Madrid, Isabel Díaz Ayuso.

Para a FRAVM, estas medidas, aprovadas na sexta-feira pela Comunidade de Madrid, não são apenas "injustas e discriminatórias, mas também absolutamente ineficazes para travar a expansão da covid-19" nos bairros mais humildes.

A FRAVM convocou para domingo à tarde as associações de moradores dos bairros e municípios afetados para uma reunião com o objetivo de "concertar posturas e ações".

Madrid continua a ser a comunidade autónoma com o maior número de infeções em Espanha.

O aumento dos casos dos últimos dias levou a região de Madrid a decidir restringir, a partir de segunda-feira, a liberdade de movimentos a mais de 850.000 pessoas, 13% dos seus habitantes, de zonas da cidade onde houve um maior aumento dos contágios de covid-19.

A população afetada poderá sair do seu bairro para ir trabalhar, ao médico ou levar os seus filhos à escola, e o número de pessoas que se podem reunir é reduzido de dez para seis.

O encerramento de jardins e parques é outra das medidas anunciadas para ser implementada em 37 áreas sanitárias da capital espanhola, uma cidade que tem cerca de 6,6 milhões de habitantes num total nacional de 47 milhões.

No interior dessas zonas continua a ser possível circular, mas haverá uma redução da capacidade dos estabelecimentos de 50%, em termos gerais.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 953.025 mortos e mais de 30,5 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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