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Morreu Manuel Fraga Iribarne, um dos pais da Constituição espanhola

Morreu Manuel Fraga Iribarne, um dos pais da Constituição espanhola

Manuel Fraga Iribarne, presidente fundador do Partido Popular espanhol, morreu, este domingo, aos 89 anos, na sua casa, em Madrid. Integoru o Governo da ditadura de Franco e foi figura-chave na transição de Espanha para a Democracia.

Don Manuel, como era tratado por todos os membros do Partido Popular (PP), não resistiu a uma infecção respiratória e faleceu rodeado pelos seus filhos.

Fontes da família confirmaram que Fraga, de 89 anos, morreu na noite de domingo no seu domicílio, em Madrid, vítima de uma paragem cardíaca. A saúde de Fraga deteriorava-se desde o início do ano, quando começou a sentir uma forte tosse, uma situação que se agravou até levar ao problema respiratório que começou a materializar-se no final da semana passada.

O estado de saúde do fundador do PP e ex-presidente do Governo Regional galego agravou-se no domingo passado, como consequência de problemas respiratórios.

Fontes familiares confirmaram que Fraga será enterrado na localidade de Perbes, na província galega da Corunha, cumprindo assim um desejo expresso várias vezes por Fraga. O corpo será velado na sua casa em Madrid, por desejo da família, apesar de o Congresso, o Senado e a Junta da Galiza terem disponibilizado instalações oficiais para que o corpo ficasse em câmara ardente.

Manuel Fraga Iribarne ocupou um papel chave nas últimas décadas da vida política espanhola, com um papel decisivo durante a ditadura de Francisco Franco - chegou a integrar o seu Governo - durante a transição e já na democracia.

Retirado formalmente da vida pública desde 2011, Manuel Fraga nasceu em Villalba a 23 de Novembro de 1922, tendo-se formado em direito político, ciências políticas e constitucionais.

Com um currículo político e governativo que começou ainda durante a ditadura franquista, nos anos 50 do século passado, Fraga foi ministro da Informação entre 1962 e 1969, vice-presidente do Governo (entre 1975 e 1976 e presidente da Junta da Galiza durante 15 anos, entre 1990 e 2005.

Fraga, um dos pais da Constituição espanhola de 1978, fundou o partido Reforma Democrática, que foi o embrião da Aliança Popular e do actual PP.

O seu primeiro cargo político de relevo foi o de ministro da Informação e Turismo no 9.º Governo nacional de Espanha (1962 a 1965), durante a ditadura franquista. É da sua época o slogan turístico, usado durante décadas, de "Spain is different".

Considerado politicamente mais aberto, apesar de leal à ditadura, criou, entre outras, a Lei de Prensa e Imprenta (Lei da Imprensa e Impressão), conhecida como a Lei Fraga, que eliminava a censura prévia e foi muitas vezes - como porta-voz do Governo - encarregado de informar da execução de prisioneiros políticos.

Do Governo, Fraga seguiu para Londres, com embaixador, regressando a Madrid para ocupar cargos como procurador nas Cortes, acabando por abandonar a vida política para trabalhar no sector privado.

Em 1975 regressou à vida pública de relevo, sendo nomeado vice-presidente e ministro da Governação do Governo liderado por Carlos Árias Navarro.

Um ano depois, criou o partido Reforma Democrática - inicialmente com políticos activos do regime de Franco considerados favoráveis a maior abertura - e, finalmente, criou a Aliança Popular, partido através do qual se apresenta como candidato à presidência do Governo nas primeiras eleições democráticas.

Derrotado, participou, nos anos seguintes, na elaboração da Constituição Espanhola e, posteriormente, já com a Coligação Popular, tornou-se no líder da oposição, quintuplicando o apoio da direita ao seu partido.

Em 1987 tornou-se eurodeputado e em 1989 participou na refundação da Aliança Popular como Partido Popular, que passou a ser liderado por José Maria Aznar.

Fraga regressou à Galiza e apresentou-se às eleições regionais, que venceu com maioria absoluta, governando na região durante 15 anos até 2005, quando perdeu a maioria absoluta e o Governo Regional.

Em 2006 entrou no Senado - designado pelo parlamento galego - e a 2 de Setembro do ano passado anunciou a sua renúncia à política activa.