Málaga

Morte de Julen causada pelas operações de resgate, defende advogado do tio

Morte de Julen causada pelas operações de resgate, defende advogado do tio

O advogado do proprietário da quinta em Totalán, Málaga, onde o pequeno Julen perdeu a vida, depois de ter caído num poço, alega que a criança não morreu da queda, mas sim em consequência das operações de resgate.

O advogado de David Serrano, dono da quinta e também tio de Julen, apresentou, esta quarta-feira de manhã, no Tribunal de Instrução de Málaga, um relatório em que tenta demonstrar que Julen poderá ter morrido vítima do impacto causado pelas ferramentas utilizadas para remover o tampão de areia formado aos 73 metros de profundidade, que tornou impossível chegar a Julen nos primeiros dias da longa operação.

A queixa tem por base um estudo redigido pelo arquiteto Jesús María Flores Villa e "centra-se no estudo das gravações de vídeo e informações sobre os procedimentos, a fim de determinar o número, sequência cronológica e natureza das ações levadas a cabo nas primeiras horas pelas equipas de resgate, após a queda do menor Julen Roselló, num poço de água, a 13 de janeiro".

No documento, ao qual o espanhol "El Mundo" teve acesso, o especialista aponta que, na gravação de 25 minutos da primeira câmara que foi introduzida no poço, nesse dia, pode constatar-se que o tampão de areia que obrigou os mineiros a fazerem um túnel vertical "é composto principalmente por material desgastado, terra e pequenas lascas de 1 a 2 centímetros de comprimento, de aspeto argiloso e da mesma cor do material que forma as paredes do poço".

Esse facto, acrescenta, "praticamente evidencia que o material que forma o tampão não vem apenas das próprias paredes do poço mas que a sua presença nesse local é recente ". Assim, o tampão, que se chegou a pensar ter sido consequência dos esforços feitos pela família após a queda da criança, pode ser resultado dos trabalhos da equipa, aponta o especialista.

O mesmo jornal escreve ainda que, noutra gravação de vídeo, se vê a máquina utilizada nos trabalhos e a "queda constante de pequenas partículas de material das paredes". Há ainda a hipótese de ter sido a própria máquina a provocar a morte da criança, adianta o documento, que afasta a tese de que Julen tenha caído de cabeça, uma vez que, nas imagens, são vistas as mãos e a cabeça da criança.

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"Os pais ouviram um choro durante 30 segundos e é impossível que o menino tenha golpeado a cabeça, visto que caiu de pé. Pode ser que os impactos dessa "picareta" tenham provocado o traumatismo e a sua morte", disse o advogado.

A defesa de David Serrano pede que as investigações sejam aprofundadas.

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