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Mortes e violações em direto no Facebook dificilmente se param

Mortes e violações em direto no Facebook dificilmente se param

A transmissão em direto no Facebook de um assassinato, em Cleveland, nos EUA, fez soar os alarmes das autoridades e dos responsáveis pela maior rede social do mundo. É que, apesar da gravidade do conteúdo, o vídeo esteve no ar quase três horas e rapidamente se tornou viral.

Girafas a nascer, jogos de futebol dos principais campeonatos do mundo e até concertos de festivais são conteúdos transmitidos com regularidade através do "Facebook Live". No entanto, esta funcionalidade também abre espaço a outras situações. No domingo, Steve Stephens, um norte-americano de 37 anos, filmou-se a conduzir nas ruas de Cleveland, no Estado do Ohio. O que seria mais um vídeo em direto do Facebook, tornou-se num verdadeiro caso de polícia.

A certa altura, o homem para o carro, e depois de trocar palavras com um idoso, que não conhecia, abate-o a tiro. A polícia local montou uma operação de caça ao homem, que só terminou, dois dias depois, quando o encontraram morto no carro.

Isto aconteceu poucos dias depois de, em Chicago, um rapaz de 15 anos ter sido detido por agredir sexualmente uma menina de 14. Tudo foi transmitido em direto no Facebook, com as imagens a serem partilhadas por milhares de utilizadores.

Uma dor de cabeça para as redes sociais

O Facebook demorou mais de duas horas a eliminar a conta de Stephens e não foi a tempo do vídeo se propagar por outras plataformas. Só no YouTube e no Instagram, somou mais de 150 mil visualizações e ainda hoje pode ser visualizado.

No rescaldo do crime de domingo, Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, assumiu que há muito trabalho a fazer."Vamos continuar a fazer tudo o que pudermos para evitar este tipo de tragédia", disse na abertura da conferência que a rede social promove anualmente para abordar os projetos futuros.

Mas no seio empresa, o clima é de incerteza. Em declarações ao "The Washington Post", o responsável pelo "Facebook Live", Daniel Danker, confessou que a rede social "está dependente da comunidade de utilizadores, que podem denunciar as publicações ofensivas e perigosas".

"Quando um utilizador denuncia um determinado conteúdo, o material é enviado para uma equipa de profissionais", descreve.

Este problema não é de agora. Os suicídios e as situações de bullying na rede social já tinham obrigado o Facebook a agir.

Recentemente, foi criada uma funcionalidade que permite identificar publicações potencialmente perigosas, reencaminhando os utilizadores para linhas de apoio. A iniciativa "Pensa antes de partilhares", levada a cabo no Facebook, também foi desenvolvida para ajudar os pais a melhorar a segurança dos filhos nos ambientes digitais. "A segurança é uma das principais prioridades para nós. Estamos a trabalhar em funcionalidades que ajudem na prevenção de situações de violência", explicou fonte do Facebook ao JN.

A normalidade que contribui para a dessensibilização

Confrontados com situações como estas, de forma quase diária, os utilizadores das redes sociais enfrentam um grave risco. Para Danielle Kilgo, da Universidade do Texas, em Austin, nos EUA, "ver e consumir vídeos como estes pode ser incrivelmente problemático porque pode contribuir para a dessensibilização das pessoas".

O controlo daquilo que é partilhado no Facebook é uma tarefa praticamente impossível. "As empresas de media social teriam que eliminar grande parte daquilo que os utilizadores colocam online. Isto não é prático", refere ao JN.

"O grande problema é que o Facebook depende muito dos utilizadores para controlar este fenómeno. No caso de Stephens, demoraram três horas para retirar o vídeo da Internet. Deu tempo para que fosse copiado para outras plataformas", refere.

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