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Moscovo condena medidas anti-russas tomadas por novo poder ucraniano

Moscovo condena medidas anti-russas tomadas por novo poder ucraniano

A Rússia condenou esta segunda-feira as medidas adotadas pelo novo poder ucraniano que, afirma, lesam os direitos da comunidade russa na Ucrânia.

"Invocando os 'interesses revolucionários', validam-se 'decisões' e 'leis', visando nomeadamente lesar os direitos humanos dos russos", lê-se num comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros russo, que se refere à ab-rogação no domingo de uma lei aprovada durante o anterior regime, que fazia do russo a segunda língua oficial em algumas regiões.

O MNE russo criticou duramente o novo poder ucraniano, sustentando: "Caminham para a repressão daqueles que não estão de acordo em diversas regiões da Ucrânia através de métodos ditatoriais e, por vezes, terroristas".

Horas antes, o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, pusera em causa a legitimidade do novo poder na Ucrânia após a destituição do presidente Viktor Ianukovitch, afirmando que reconhecê-lo, como estão a fazer alguns países do Ocidente, é "uma aberração".

O primeiro dirigente russo a falar publicamente sobre a queda de Ianukovitch, Medvedev defendeu que a legitimidade dos órgãos governativos na ex-república soviética levanta "sérias dúvidas".

"Estritamente falando, hoje não temos ninguém com quem falar. A legitimidade de toda uma série de órgãos do poder de lá suscita sérias dúvidas", declarou, citado pelas agências de notícias russas.

"Se considerarmos que as pessoas que se movem em Kiev com máscaras negras e kalachnikovs são o Governo, então ser-nos-á difícil trabalhar com um tal Governo", acrescentou.

"Alguns dos nossos parceiros ocidentais consideram que ele é legítimo. Não sei que Constituição é que eles leram, mas parece-me que é uma aberração considerar legítimo o que é, de facto, o resultado de uma revolta", sublinhou.

A União Europeia, a Polónia, a França e a Alemanha, bem como os Estados Unidos, reconheceram as decisões do Parlamento ucraniano.

"Não compreendemos o que se passa lá, existe uma verdadeira ameaça aos nossos interesses, à vida e à saúde dos nossos cidadãos", disse ainda Medvedev, para explicar a chamada a Moscovo do embaixador da Rússia na Ucrânia.

Quanto aos acordos económicos assinados entre a Ucrânia e a Rússia, indicou que eles serão aplicados, referindo-se apenas aos acordos "juridicamente vinculativos".

"Os acordos que são juridicamente vinculativos serão cumpridos. Não cooperamos com pessoas concretas, personalidades concretas, trata-se de relações entre Governos", declarou.

Acerca do acordo sobre o gás assinado em dezembro e que prevê uma forte redução do preço do gás vendido por Moscovo a Kiev, Medvedev utilizou uma fórmula equívoca.

"As decisões na área do gás que foram tomadas têm prazos concretos de aplicação. O que acontecerá quando esses prazos expirarem terá de ser discutido com os dirigentes das empresas ucranianas e com o Governo ucraniano, se um dia houver um", observou.

Os receios em relação à integridade territorial da Ucrânia multiplicam-se.

Os ocidentais duvidam nomeadamente que a crise dos últimos meses não tenha já escavado um fosso entre o leste russófono e russófilo, maioritário, e o oeste nacionalista e ucraniófono.

No entanto, no terreno, as regiões mais próximas de Moscovo não dão sinal de quererem proceder a uma secessão.

O presidente russo, Vladimir Putin, manteve-se, por seu lado, em silêncio sobre esta matéria.

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