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Movimento dos Atingidos por Barragens aponta "tragédia anunciada"

Movimento dos Atingidos por Barragens aponta "tragédia anunciada"

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MBA) considerou esta sexta-feira que a rutura da barragem em Brumadinho, no estado de Minas Gerais, Brasil, era uma "tragédia anunciada", referindo que já tinha efetuado diversos alertas.

A organização não governamental salientou que, desde 2015, quando ocorreu uma tragédia semelhante na cidade de Mariana, também no estado de Minas Gerais, que tem vindo a alertar para os riscos na mina em que ocorreu o acidente na barragem e cuja ampliação foi aprovada apesar das advertências.

"Desde 2015 que inúmeras denúncias foram efetuadas sobre o risco de rompimento de barragens do complexo em Brumadinho, mas mesmo assim teve a sua ampliação aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental em dezembro passado", refere a organização em comunicado.

Segundo o movimento, a barragem que cedeu tem capacidade para um milhão de metros cúbicos de resíduos que, se atingirem o rio Paraopeba, podem deixar um rasto de destruição, colocando em risco milhares de famílias em cerca de 48 municípios.

"Há apenas três anos aconteceu o caso em Mariana, outro crime contra a vida, que resultou deste modelo que só provoca tragédias anunciadas", acrescentou, criticando o modelo existente no país de "lucro a qualquer custo".

Cerca de 200 pessoas estão desaparecidas após a rutura da barragem de Brumadinho, no estado de Minas Gerais, Brasil, anunciaram os bombeiros em comunicado.

A rutura de uma barragem em Brumadinho, município do estado de Minas Gerais, gerida pelo grupo mineiro Vale, obrigou à ativação do plano de emergência, desconhecendo-se oficialmente o registo de vítimas mortais.

Segundo depoimentos dos moradores, citados pela agência France Presse, um responsável dos bombeiros reportou a existência de "vários mortos", apesar de não avançar com números.

Segundo a empresa mineira Vale, detentora da barragem que rebentou, a área administrativa da empresa foi atingida pela lama, contendo funcionários no seu interior.

Os resíduos chegaram também à comunidade da Vila Ferteco, tendo a Defesa Civil confirmado a existência de pessoas isoladas.

Seis municípios emitiram já um alerta para que população se mantenha longe do leito do Paraopeba, rio que atravessa parte do Estado de Minas Gerais, receando a subida do nível das águas.

O parque de Inhotim, que conta com 14 hectares e é um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do país, teve de ser evacuado, levando à retirada de cerca de mil pessoas.

O corpo de bombeiros e a Defesa Civil foram mobilizados para o local, tendo sido ativado um plano de emergência, informou a empresa mineira em comunicado.

Há quase três anos, uma das barragens da empresa Samarco, controlada pelos acionistas Vale e BHP, rebentou na cidade de Mariana, no estado de Minas Gerais, originando uma torrente de lama que destruiu fauna, flora e construções ao longo de 650 quilómetros.

Este desastre causou 19 mortos, além de ter deixado desalojadas milhares de famílias.