França

Movimento #MeTooInceste ascende e gera onda de solidariedade 

Movimento #MeTooInceste ascende e gera onda de solidariedade 

Depois do cientista e político francês, Olivier Duhamel, ser acusado de incesto e abuso sexual, o movimento #MeTooInceste multiplica-se no Twitter em França.

A campanha #MeTooInceste foi lançada no final da semana passada pela organização NousToutes, que luta contra a violência sexual na França. Após a enteada de Olivier Duhamel o acusar de praticar incesto e abuso sexual contra o irmão gémeo, no recente livro "La Familia Grande". Na altura, o politólogo negou as acusações e referiu estar a ser alvo de "ataques pessoais".

A luta contra o incesto espalhou-se pelo Twitter e várias vítimas juntaram-se à campanha. Mais de 80 mil pessoas mencionaram o hashtag e muitos partilharam as suas histórias na rede social, revela a organização.

Uma delas foi Mié Kohiyama que além de divulgar a história, partilhou um desenho que fez com cinco anos, uma criança sem boca com a palavra "au secours" (socorro). Ao sofrer em silêncio, explicou que desenhar era a forma de falar sobre o abuso que sofrera por parte do primo, mas na altura ninguém compreendeu a mensagem.

"Digo a mim mesma que agora as pessoas podem compreender este tipo de desenhos. Quarenta anos antes, isso não era possível", explicou Kohiyama, citada pela BBC.

A psicóloga especializada em violência sexual, Muriel Salmona, defende que a acusação de Camille Kouchner ao padrasto e a criação da hashtag criaram um "espaço seguro" para as vítimas contarem a verdade.

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"Os números sobre violência contra crianças são maus para a maior parte da Europa, mas em França existe uma corrente que tolera a violência sexual contra crianças", afirma. Menos de 1% dos casos contra menores são levados a tribunal.

Em França, a prática de sexo com menores é ilegal, mas para alguém ser acusado de abuso sexual é necessário provar que foi utilizada violência, ameaça, surpresa ou coerção. Os ativistas têm feito vários pedidos para alterar a lei e estipular uma idade legal de consentimento, mas todas as tentativas têm sido rejeitadas.

Uma sondagem realizada em 2020 descobriu que uma em cada dez pessoas sofreram abusos sexuais pelos familiares, em França. A ativista Marie Chenevance confessou estar surpreendida com a quantidade de testemunhos.

"Por um lado, as histórias são tristes, mas, por outro lado, é bom - é libertador", diz.

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