Terrorismo

Muda o paradigma. A morte continua a ser o resultado

Muda o paradigma. A morte continua a ser o resultado

O projeto do Estado Islâmico enquanto entidade que se pretendia territorial já não existe. No entanto, sobra a ideologia, que, atualmente, abriga variadíssimos grupos jiadistas que reivindicam ataques atrás de ataques evocando uma ligação àquele movimento extremista.

E se Iraque, Síria e Afeganistão (sobretudo este) ainda vão experimentando atentados sob aquele nome próprio, os mais recentes palcos de ação têm sido africanos, com centenas de mortos a ilustrarem o percurso de diversos movimentos.

"Em África, o poder institucionalizado, seja ele democrático ou autocrático, é fraco. Há casos de estados falhados, de que é exemplo a Guiné-Bissau. Nações que foram desenhadas nas secretárias das potências coloniais sem ser levada em linha de conta a especificidade de etnias, crenças, religiões", contextualiza António Nunes, presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo.

É neste caldo contranatura, potenciador de "guerras entre etnias, disputas territoriais e conflitos entre cristãos e muçulmanos", que a ideologia - herdada do Estado Islâmico - dos "movimentos radicais islâmicos pode fornecer algum consolo espiritual".

Em cenários de "problemas profundos de pobreza e de falhas dos sistemas de saúde e de educação", o recrutamento de elementos para as fileiras jiadistas conhece tudo menos dificuldades.

Ontem, em Moçambique, um autointitulado militante jiadista justificou, através de um vídeo na internet, os ataques de grupos armados no norte do país com o objetivo de impor uma lei islâmica na região. De uniforme militar e cara tapada, apelou à luta sob a bandeira do Estado Islâmico.

Lealdade mortífera

"Ao contrário do que foi entendido, o Estado Islâmico não acabou. A filosofia continua a ser divulgada no espaço virtual. Um pouco à imagem do que aconteceu com a [organização terrorista] al-Qaeda", realça António Nunes.

O Boko Haram é um dos mais mortíferos "herdeiros" do Estado Islâmico. Criado na Nigéria, tem deixado uma marca extremamente funesta no Chade, nos Camarões e no Níger, matando indiscriminadamente e forçando à deslocação de milhões de pessoas.

No Quénia, o Exército lida regularmente com o grupo jiadista somali al-Shabab, que, além de querer instaurar no país de origem um reduto de ultraconservadora inspiração wahabi, não perdoa às autoridades quenianas a perseguição devido aos sequestros que protagonizou na nação vizinha.

Na Tunísia, um grupo salafista radical vinculado ao Estado Islâmico não tem dado descanso a várias regiões do país.

A lealdade do Ansar Bait al-Maqdis aos radicais islâmicos valeu a 37 elementos do grupo a condenação à morte, acusados de atos terroristas, assassinatos de polícias e tentativa de assassínio de um antigo ministro do Interior egípcio.

"Aproveitam-se de uma ideologia já estabelecida e dizem que estão a "trabalhar" para o Estado Islâmico", sintetiza o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo.

Os que ainda se assumem como Estado Islâmico são igualmente letais. Anteontem, mataram 25 pessoas num templo sikh, em Cabul, capital afegã. Na Ásia.

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