O Jogo ao Vivo

Talibãs

Mulheres do norte do Afeganistão proibidas de usar casas de banho públicas

Mulheres do norte do Afeganistão proibidas de usar casas de banho públicas

Os banhos públicos, também conhecidos como "hammams", são já uma tradição antiga no Afeganistão. O ritual continua a ser para muitos a única oportunidade de tomarem banho de água quente durante os invernos extremamente frios do país.

As mulheres das províncias do norte do Afeganistão estão proibidas de frequentar as casas de banho públicas, utilizadas regularmente para os rituais de limpeza espiritual e purificação exigidos pela lei islâmica. A decisão anunciada esta semana pelos talibãs, no poder desde agosto, gerou uma onda de indignação, com ativistas do país a considerarem o controlo dos talibãs uma forma de desrespeito pelos seus direitos básicos.

PUB

Em declarações ao jornal britânico "The Guardian", Winuss Azizi, da organização sem fins lucrativos "Visions for Children in Afghanistan", contou que a maioria das famílias não tem condições de saneamento nem instalações para aquecer grandes quantidades de água. Uma realidade que preocupa sobretudo as mulheres do noroeste do país, que já manifestaram descontentamento pelo encerramento da maioria dos "hammams" - que constituem, para muitas pessoas, a única solução para tomar um banho quente durante o inverno.

Falando sob anonimato à mesma publicação, um dos comandantes talibãs referiu que não apoiava a decisão, defendendo que os novos líderes devem concentrar-se em "lutas maiores".

Esta não foi a primeira vez na História em que as mulheres afegãs foram impedidas de entrar nos "hammams". O mesmo já tinha acontecido durante o regime talibã que vigorou de 1996 a 2001. Muitas dessas casas de banho públicas foram vandalizadas e só voltaram a ser utilizadas depois da invasão dos Estados Unidos, em 2001.

Heather Barr, que representa a luta pela defesa dos direitos das mulheres da "Human Rights Watch", manifestou-se "furiosa" com "a crueldade de negar às mulheres o único alívio do frio sem motivo algum".

No Afeganistão, o domínio total dos talibãs mergulhou o país numa profunda crise humanitária: dados da ONU indicam que 97% dos afegãos poderão viver abaixo do limiar da pobreza até meio do ano.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG