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Mulheres magras favorecidas pelo Instagram? Internautas pedem algoritmo mais inclusivo

Mulheres magras favorecidas pelo Instagram? Internautas pedem algoritmo mais inclusivo

O algoritmo do Instagram está debaixo de fogo. Há muito que são conhecidas as restritas normas de publicação da rede social quando se trata de nudez. Mas há mais um outro problema no assunto: tudo indica que as imagens de mulheres brancas e magras estão a ser favorecidas em detrimento das mulheres com mais peso, ou que, segundo a rede social, não cumprem os parâmetros desejados. A censura parece ser mais evidente quando as fotos pertencem as mulheres negras.

As contas de paródia são mais que muitas no Instagram. A comediante australiana Celeste Barber fez o que costuma fazer sempre: gozar com uma situação ou com alguém. No entanto, mal ela sabia, que iria receber um aviso da rede social. Na passada sexta-feira, Barber imitou uma foto ousada da antiga modelo da marca Victoria's Secret Candice Swanepoel, em que esta aparecia nua, com uma mão a tapar o peito e um tecido a esconder parte do corpo. Ao que tudo leva a crer, o Instagram teve parâmetros diferentes perante as duas fotografias.

Enquanto o corpo magro de Candice Swanepoel não teve aparentemente qualquer censura do Instagram, a imagem de Celeste Barber recebeu um aviso. A foto da comediante - também seminua e numa pose semelhante - estaria contra as regras da rede social de "nudez e atividade sexual". A chamada de atenção do Instagram mereceu uma resposta rápida de Barber. "Instagram, resolve os teus padrões para envergonhar os corpos", disse. "Estamos em 2020, atualiza-te", acrescentou. A imagem não chegou a ser eliminada pela rede social, mas as partilhas da mesma fotografia, para denunciar o incidente, terão sido removidas.

O caso já não é novo. Em junho deste ano, a modelo negra "plus size" Nyome Nicholas-Williams publicou uma fotografia artística em que tapava o peito com as mãos. O registo recebeu reprovação do Instagram, que prontamente eliminou a foto. A ação tornou-se particularmente visível porque aconteceu durante as manifestações do movimento "Black Lives Matter", que se espalharam um pouco por todo o mundo, devido aos homicídios e episódios de violência policial contra negros nos Estados Unidos.

Black. @alex_cameron Makeup @rebeccacrangmua

Uma publicação partilhada por Nyome Nicholas - Williams (@curvynyome) a

Também com a modelo negra, os internautas pediram mais inclusão nos algoritmos através da hashtag #EuQueroVeraNyome, que se tornou viral em pouco tempo. Numa entrevista, Nyome Nicholas-Williams reconheceu que a censura de corpos e cores de pele na Internet não é caso único. "A censura acontece em todo o lado, mas nas redes sociais acontece mais, especialmente com mulheres negras e gordas", afirmou.

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A 1 de outubro, vários "influencers" americanos com excesso de peso criaram uma campanha para alertar para o tema. Em todas as imagens, o corpo estava em destaque, o que os levou a inscrever nas fotografias: "Porque é que o algoritmo do Instagram censura o meu corpo, mas não os corpos magros?". A pergunta teve a resposta de Adam Mosseri, CEO do Instagram. "O nosso foco vai começar com a comunidade negra, mas vamos também focar-nos em como podemos melhorar e servir outros grupos sub-representados", disse.

Tanto Celeste Barber como Nyome Nicholas-Williams reconheceram que receberam um pedido de desculpa da rede social. Os responsáveis do Instagram, de acordo com "The Guardian", disseram a ambas que as imagens foram erradamente censuradas. As duas estão, neste momento, a colaborar com a rede social para melhorar o algoritmo da empresa.

Embora o peso e a cor da pele pareçam ainda ser um fator de peso nas redes sociais, a nudez também o é. Ana Catharina, ex-concorrente do Big Brother Portugal, publicou uma fotografia no Instagram a sensibilizar para a prevenção do cancro da mama. A imagem da instrutora de yoga, em que aparece a tapar o peito com as duas mãos, foi apagada. Ana Catharina recebeu ainda uma mensagem do Instagram a dizer que a conta na rede social podia ser eliminada. A situação levou a que fãs e internautas questionassem como é que uma campanha de sensibilização pode ter "conteúdo impróprio".

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