Jack Ma

Multimilionário "desaparecido" após afrontar Pequim volta à vida pública em Ibiza

Multimilionário "desaparecido" após afrontar Pequim volta à vida pública em Ibiza

Zen, o milionário iate do multimilionário chinês Jack Ma, está atracado em Ibizia, nas ilhas Baleares espanholas. Acompanhado de amigos, o fundador do grupo de vendas online Alibaba regressa à vida pública após um ano desaparecido, na sequência de críticas feitas ao Governo de Pequim.

Não é a baleia branca de Melville, mas o gigante e alvo iate de Jack Ma, atracado nas ilhas Baleares, deixa antever que o multimilionário chinês estará livre das amarras da "proibição exterior". O fundador do grupo Alibaba estaria sujeito a esta medida aplicada por Pequim a líderes governamentais ou executivos de grandes empresas durante processos de investigação em curso, uma espécie de Termo de Identidade e Residência (TIR), sem direito a viagens fora de borda.

O jornal espanhol "El País" diz ter conseguido confirmar que Jack Ma está em Ibiza, para se encontrar com amigos, provar vinhos e participar em reuniões de trabalho. Viajou de Hong Kong, na madrugada de sábado, noticiou o jornal chinês "South China Morning Post", propriedade do grupo Alibaba.

Chegado a Espanha, embarcou no Zen, o iate de 170 milhões de euros visto a navegar nas água de Andratx, a sul da ilha de Maiorca.

Segundo o jornal norte-americano "Wall Street Journal" (WSJ), Jack Ma planeia visitar mais países europeus, antes de regressar à China, em novembro. O reaparecimento do empresário, em Maiorca, faz pensar numa mudança de rumo nas relações com as autoridades chinesas. Uma ideia materializada numa subida de 9% das ações em Bolsa do grupo Alibaba.

É a primeira viagem de Jack Ma, e uma das raras aparições em público, desde janeiro, quando o magnata falou por vídeo conferência num evento filantrópico, dando um passo de aproximação a Pequim, ao alinhar com o presidente chinês, considerando que os empresários deviam "trabalhar no duro a favor da revitalização rural e da prosperidade comum".

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Palavras seguidas do anúncio do grupo Alibaba de investir cerca de 14 mil milhões de euros, até 2025, numa campanha de apoio ao desenvolvimento justo e à prosperidade comum.

Criticas ao regulador custaram mais de dois mil milhões de euros

Os problemas de Jack Ma com o governo chinês começaram as críticas aos reguladores financeiros chineses, que acusou de reprimirem a inovação financeira. Dias depois destas declarações, proferidas num fórum de economistas, em outubro de 2020, Pequim bloqueou a entrada em bolsa do grupo Ant, o braço financeiro do conglomerado Alibaba, focado na gestão de riqueza, seguros e empréstimos.

A intervenção estatal, a menos de 48 horas da estreia em bolsa do grupo financeiro Ant, travou aquela que seria a maior estreia em mercados bolsistas de sempre, com expectativas de arrecadar cerca de 30 mil milhões de euros. Seguiu-se uma multa histórica de mais de dois mil milhões de euros, por abuso de posição dominante da plataforma de comércio eletrónico do grupo Alibaba, em abril de 2021.

Nesta altura, Jack Ma já havia desaparecido da vida pública. O multimilionário que nasceu pobre, professor de inglês que viu o futuro do comércio eletrónico numa viagem aos EUA, o homem que se fez uma das pessoas mais influentes no mundo dos negócios, reunia com líderes mundiais e tinha uma agenda global, dedicou-se ao golfe e a aprender a pintar a óleo, afastado da vida pública, reportou o WSJ.

Na sequência de recomendações das autoridades chinesas, o grupo Alibaba abriu-se aos rivais e passou a aceitar o pagamento de compras em alguns serviços através da aplicação Wechat Pay, da rival Tencent.

O grupo Ant está também a trabalhar na transferência de alguns dos serviços financeiros baseados na plataforma de pagamentos Alipay para outras aplicações, na sequência de um pedido dos reguladores chineses para as empresas tecnológicas separarem os produtos e serviços financeiros das plataformas centralizadas de pagamentos.

Na terça-feira, um representante do Banco Central da China disse aos jornalistas que cerca de metade dos mil problemas encontrados nas 14 plataformas de internet chinesas, incluindo a Ant, tinham sido resolvidos.

O presidente do Banco da China, Guo Shuqing, disse que as empresas contactadas estão a responder de forma muito positiva. "Até ao final do ano, serão visíveis progressos mais significativos e substantivos", disse Guo, que é, também, o principal regulador da Banca e dos Seguros na China.

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