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Condenado e protagonista de série da Netflix vê caso reanalisado por tribunal

Condenado e protagonista de série da Netflix vê caso reanalisado por tribunal

Steven Avery, norte-americano cuja condenação a prisão perpétua é tema da conhecida série da Netflix "Making a Murderer", vai ver o seu caso reanalisado por um tribunal de Wisconsin.

Steven Avery, 56 anos, está a cumprir sentença de prisão perpétua pelo homicídio de uma jovem fotógrafa, Teresa Halbach, em 2005. Mas garante estar inocente.

"Making a Murderer" (Criar um assassino, em tradução literal) é o nome de um documentário da plataforma Netlflix que revela a história deste crime real e das dúvidas que envolvem o caso.

Kathleen Zellner, conhecida advogada que defende casos de condenações injustas, pegou no caso de Steven Avery e alega que provas potencialmente importantes não foram avaliadas.

A defesa do arguido ganhou agora um pedido de reavaliação do caso com base na descoberta de possíveis ossos humanos numa pedreira que, segundo Kathleen Zellner, foram entregues à família da vítima sem terem sido feitas análises de ADN, o que viola a lei.

Steven Avery e o sobrinho Brendan Dassey foram ambos sentenciados a prisão perpétua - em julgamentos separados - pela morte de Teresa Halbach, 25 anos, cujos restos mortais carbonizados foram encontrados no pátio da oficina de recuperação de automóveis de Steven, uma semana depois de a jovem fotógrafa ali ter ido fotografar uma carrinha que estava para venda.

Se os ossos encontrados na pedreira pertencerem a Teresa Halbach, a advogada Kathleen Zellner defende que fica sem fundamento a teoria da acusação de que a fotógrafa foi morta na propriedade de Avery.

"Esta prova tem o potencial de reverter todo o caso, por isso é uma grande vitória", disse a advogada à revista "Newsweek".

"O caso foi devolvido ao tribunal para início dos procedimentos, que incluem uma audição. Isto pode levar a um novo julgamento ou o regresso ao tribunal de recurso, que pode reverter a condenação e/ou garantir um novo julgamento", explicou.

Novos indícios relacionados com os ossos podem agora ser submetidos ao tribunal.

Antes deste caso, Steven Avery tinha sido condenado injustamente (em 1985) por violação e tentativa de homicídio. Depois de cumprir 18 anos de prisão (de uma pena de 20) foi ilibado com base em provas de ADN e libertado. Dois anos depois foi condenado pela morte de Teresa Halbach.

"Tenho um objetivo, que é anular a sentença de Steven Avery", assume a advogada Kathleen Zellner.