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Maquinistas belgas revelam estratégia para serem despedidos do setor público

Maquinistas belgas revelam estratégia para serem despedidos do setor público

Maquinistas dos serviços públicos de caminhos-de-ferro belgas estão a tentar forçar o despedimento. Querem mudar para o privado, com melhores ordenados e mais regalias.

Um maquinista da empresa pública de caminhos-de-ferro da Bélgica, a SNBC, confessou que está em marcha (lenta) a "operação caracol". Uma maquinação contra as regras, que obrigam a entregar um pré-aviso de um ano a quem quer despedir-se para poder mudar para o privado, atrás de um melhor ordenado e regalias, como carro de empresa.

Cédric Grumiaux dá a cara por este protesto, lento mas de efeito imediato. "Há pessoas que chegaram atrasadas, peço desculpa por isso", disse, em declarações ao canal belga RTL. "A segurança está acima de tudo, não incomodamos os colegas", acrescentou.

"É uma atitude inaceitável. Há canais de diálogo e não se pode fazer os passageiros reféns", contrapôs um porta-voz da SNBC, Thierry Ney, quando confrontado com a notícia de um atraso, nada inocente, de 38 minutos uma viagem entre Mons e Liège, que dura, à tabela, 2.16 horas.

"Na SNCB, os maquinistas são treinados durante 12 a 18 meses. São pagos nesse período", explicou Thierrey Ney, justificando o pré-aviso de um ano, que em Portugal, regra geral, é de dois meses. "Foi investido dinheiro público na formação dos maquinistas, por isso faz sentido proteger de uma saída prematura. É também uma forma de preservar o serviço público, algo que também é feito noutras instituições", justificou o porta-voz dos caminhos-de-ferro públicos da Bélgica.

Alguns maquinistas é que não alinham por esta agulha. "Mudaram as regras a meio do jogo. De um mês para um ano, é injusto", disse Grumiaux, aludindo ao tempo de trabalho que tem de cumprir após apresentar a demissão e antes de poder mudar de empresa. "Compreendo que arrisco uma penalização, em teoria podem despedir-me, mas devem compreender que essa opção não me preocupa", acrescentou.

Segundo sindicato do setor, cerca de 350 (10%) dos 3500 maquinistas da SNBC, já entregaram a nota de rescisão, sinalizando a vontade de passar para o privado. Não é claro quantos destes vão aguardar um ano para mudar e quantos vão andar a passo de caracol uns tempos, com passageiros aborrecidos às costas, a ver se chegam à meta mais depressa.

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