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Túmulos na China são mais caros que apartamentos

Túmulos na China são mais caros que apartamentos

Os cemitérios na China sofreram uma subida de preços nunca antes registada. O metro quadrado num cemitério pode custar quase 9 mil euros e em Pequim alguns túmulos chegam a custar mais do que apartamentos.

Uma pesquisa feita pela revista China Business Weekly mostrou que o mercado imobiliário, provocado pelo incremento urbanístico, mais do que duplicou o preço dos túmulos desde 2008.

Se há quatro anos atrás era possível negociar um pedaço de terra no cemitério por volta de 2500 euros, hoje em dia o mercado explora o metro quadrado para um túmulo a um preço de quase 5 mil euros, nas zonas centrais.

Contudo, o aumento dos valores dos túmulos não são o único problema da economia funerária. Morrer está caro.

De acordo com a tradição chinesa, funerais são considerados homenagens de dedicação e por isso tendem a ser extravagantes.

Os serviços de transporte do corpo, velório e cremação ascendem aos 12 mil euros, refere a pesquisa realizada pela mesma revista.

O velório pode ou não ter uma banda marcial, tiros de canhão ou ainda caravanas de carros importados para deslocar as famílias ao cemitério. A sala onde a cerimónia é feita pode ser grande o suficiente para a família mais próxima, ou então para uma lista de até mil convidados.

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Após o velório, os corpos são cremados. Com o aumento do diesel e da gasolina, a cremação atingiu os 800 iuans, cerca de 96 euros, em Pequim. Já em Xangai, onde o preço é regulado pelo governo local, a taxa fica em 180 iuans, o que equivale a 21 euros.

Segundo o Ministério dos Assuntos Civis da China, mais de 60% das 8,5 milhões de pessoas que morrem todos os anos na China são cremadas.

Para quem não consegue financiar um velório tão custoso, pode alugar um túmulo, por uma quantia de 120 euros anuais, ou então aceitar o "pacote" funerário provido pelos cemitérios, subsidiado parcialmente pelo governo local. O valor depende da cidade, mas em média ronda os 2 mil iuans.

Como todas as crises buscam uma solução, várias alternativas a estes gastos exagerados têm vindo a ser promovidas pelos governos municipais chineses.

A acresentar à inflação que está a alterar os preços no setor funerário chinês, preocupações com a preservação do meio ambiente e economia verde também podem alterar os costumes tradicionais. O modo "go green" está a ser implementado nos costumes fúnebres chineses.

Vários governos municipais chineses já apostam no "Memorial Virtual" como uma alternativa verde e barata à celebração tradicional do Qingming, o dia dos mortos. A ideia do memorial é manter uma página na internet onde as pessoas possam honrar os mortos através de posts, comentários ou mesmo oferecer flores e bebidas ao falecido.

Esta alternativa virtual também evita que as pessoas se desloquem até ao local onde os familiares estão enterrados, o que gera menos emissão de dióxido de carbono. Segundo o Ministério dos Assuntos Civis, quase 18 milhões de pessoas viajaram durantes os três dias deste mesmo feriado chinês.

Na capital chinesa, o Departamento da Supervisão de Funerais, ligado ao Ministério de Assuntos Civis, criou em 2004 uma plataforma virtual para os 17 cemitérios existentes na cidade. De acordo com a notícia avançada pela BBC, os serviços online são gratuitos nos primeiros sete anos de assinatura.

Ainda a cidade de Tianjian, a sul de Pequim, promove o túmulo biodegradável, em que urnas se dissolvem num período de três a seis meses. Já mais de mil pessoas foram enterradas no local.

A especulação imobiliária causada pelo êxodo rural, bem como o aumento da renda e o desenvolvimento do país, seguem como um problema na China.

Especialistas crêm que uma crise económica semelhante à ocorrida nos Estados Unidos em 2008 é iminente, uma vez que os preços dos imóveis têm vindo a subir 70% todos os anos desde 2000, de acordo com uma análise feita pela Barclays Capital em novembro de 2011.

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