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Arábia Saudita

Murtaja já não vai ser executado

Murtaja já não vai ser executado

O jovem saudita de 18 anos que estava preso desde os 13 por gritar por direitos aos dez vai ser poupado à pena de morte.

Murtaja Qureiris deverá ver a pena fixada nos 12 anos de prisão, segundo fontes ligadas ao processo citadas pela CNN e pela Reuters.

O caso de Murtaja foi na semana passada alvo de uma inesperada exposição internacional. Preso em 2014, foi acusado de terrorismo e manifestações proibidas. Oriundo da minoria xiita do leste da Arábia Saudita (de maioria sunita), o rapaz erguera um megafone para pedir direitos quando tinha dez anos. No mesmo ano, diz a acusação, acompanhou o irmão ativista numa mota para lançar um cocktail molotov contra uma esquadra. Meses depois, é acusado de participar no funeral do dito irmão, morto num protesto.

Preso três anos depois, Murtaja tornou-se o mais jovem preso político do país e só conheceu a acusação em 2017, após confissões conseguidas sob tortura. E sabia que, chegada a maioridade, esperava-o a pena de morte.
O caso do rapaz provocou comoção internacional, com vários países e ONG a condenar a sua detenção, até porque assenta em alegados crimes cometidos na infância e abaixo da idade mínima de responsabilidade criminal.

Apesar de o Ministério Público pedir a pena de morte, a crucificação pública e o desmembramento, as autoridades terão optado pela prisão. Descontando o cumprido desde 2014 e os quatro anos de liberdade condicional, Murtaja deverá poder sair da cadeia em 2022. A Amnistia Internacional já saudou a decisão.