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Nagasaki assinala 74 anos da bomba atómica com apelo antinuclear a Rússia e EUA

Nagasaki assinala 74 anos da bomba atómica com apelo antinuclear a Rússia e EUA

A cidade de Nagasaki assinalou, esta sexta-feira, o 74.º aniversário do bombardeamento atómico, com uma cerimónia em memória das vítimas, na qual as autoridades instaram o Japão, Estados Unidos e Rússia a aderirem ao tratado antinuclear da ONU.

A cerimónia teve o seu momento principal à hora exata em que a bomba explodiu nesta cidade, no sudoeste do Japão, a 9 de agosto de 1945, com um minuto de silêncio, limitado pela cidade ao som do Sino da Paz.

Este ataque nuclear realizado pelos Estados Unidos causou a morte a cerca de 74 mil pessoas e foi o segundo da História, três dias depois do lançamento da primeira bomba atómica sobre a cidade japonesa de Hiroshima.

Após o ato solene em memória das vítimas, o autarca de Nagasaki, Tomihisa Taue, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e sobreviventes do bombardeamento proferiram discursos em que destacaram a importância de um mundo livre de armas nucleares, na presença de representantes de cerca de 70 países.

O autarca de Nagasaki instou os Estados Unidos, a Rússia e o próprio Governo japonês a "assumirem as suas responsabilidades" e a ratificarem o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares assinado por 122 países em 2017.

"O esforço para alcançar um mundo sem armas nucleares está em colapso e há um risco crescente de reutilização", sublinhou Taue.

"Isso é extremamente perigoso", afirmou o responsável, que acusou o Governo do Japão de "virar as costas" ao movimento antinuclear global, "apesar de ser o único país da história" vítima de bombardeamentos atómicos.

"As pessoas são fracas e esquecem rapidamente. Elas repetem os mesmos erros. Mas se há algo que nunca deve ser esquecido ou repetido em qualquer circunstância, é isso", disse Taue, que também leu poemas sobre sobreviventes, nos quais descreveram os horríveis ferimentos das vítimas.

O primeiro-ministro japonês garantiu que o país "fará todo o possível para alcançar um mundo livre de armas nucleares e no qual a paz prevaleça".

Este ano, os aniversários dos ataques de Hiroshima e Nagasaki foram assinalados poucos dias depois dos Estados Unidos terem abandonado formalmente o tratado para eliminação dos mísseis nucleares de curto e médio alcance, depois de acusar Moscovo de não o estar a cumprir.

O tratado foi assinado em 1987 pela antiga União Soviética e pelos Estados Unidos para conter a escalada de armas durante a Guerra Fria e foi considerado fundamental para acabar com o conflito.

A cerimónia em Nagasaki aconteceu antes da visita do papa Francisco, agendada para novembro, naquela que será a primeira viagem papal à cidade japonesa desde João Paulo II, em 1981.

As bombas nucleares lançadas em Hiroshima e Nagasaki levaram à capitulação do Japão e ao fim da Segunda Guerra Mundial.

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