Conflito

Nagorno-Karabakh: Ataques chegam às cidades, há mais de 220 mortos

Nagorno-Karabakh: Ataques chegam às cidades, há mais de 220 mortos

A Arménia atacou vários alvos civis este domingo, incluindo as cidades de Tartar, Horadiz e Ganja, a segunda mais importante do Azerbaijão. Líderes mundiais apelam a um cessar-fogo. Mais de 220 pessoas morreram desde o início dos combates na região de Nagorno-Karabakh, há uma semana.

"A Arménia lançou foguetes sobre Ganja. As forças armadas arménias atacam deliberadamente as cidades de Tartar e Horadiz com artilharia pesada e sistemas de foguetes. Também houve ataques de foguetes em cidades nas regiões de Fuzuli e Jabrail", disse o conselheiro da Presidência do Azerbaijão, Hikmet Hajiyev.

De acordo com o alto funcionário do Azerbaijão, "vários civis foram mortos ou ficaram feridos como resultado desses ataques".

Hikmet Hajiyev indicou que durante os últimos dias, a Arménia lançou mais de 10 mil projéteis de vários tipos contra áreas densamente povoadas, causando graves danos a mais de 500 casas.

O alto funcionário sublinhou a necessidade de distinguir entre militares e civis durante o confronto.

"Os ataques arménios em grande escala contra as aldeias do Azerbaijão sem necessidade militar de qualquer tipo não são acidentais. Os ataques sistemáticos da Arménia são um testemunho de que foi um plano preparado com antecedência e incluído no programa de prontidão de combate do Exército Arménio", alegou.

As forças armadas do Azerbaijão respondem "adequadamente" para aniquilar os postos de fogo inimigos e garantir a segurança da população civil, garantiu Hikmet Hajiyev.

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Por outro lado, no sábado, o primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinyan disse que o seu país enfrenta "talvez o momento mais decisivo da sua história", referindo-se ao conflito no enclave de Nagorno-Karabakh, onde separatistas apoiados por Erevan lutam contra soldados do Azerbaijão.

Líderes condenam ataques contra civis e pedem cessar-fogo

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) condenou o bombardeamento indiscriminado de áreas povoadas no conflito de Nagorno-Karabakh, citando "dezenas" de vítimas civis em ambos os lados da linha de combate.

"O CICV condena veementemente os bombardeamentos indiscriminados e outros supostos ataques ilegais realizados com armas explosivas em cidades e outras áreas povoadas, matando civis e causando-lhes ferimentos terríveis", disse, em comunicado citado pela AFP, Martin Schüepp, diretor regional do CICV para a Eurásia em Genebra.

A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu ao seu homólogo arménio, Nikol Pashinian, durante uma conversa telefónica, um cessar-fogo imediato em Nagorno-Karabakh e o início das negociações com o Azerbaijão.

A vice-porta-voz do executivo alemão, Ulrike Demmer, explicou, num comunicado, que a conversa entre os dois líderes sobre o conflito de Nagorno-Karabakh ocorreu no sábado. "Angela Merkel enfatizou que todos os lados devem abandonar as hostilidades [...] e que uma negociação deve começar", disse Ulrike Demmer

Também a Rússia manifestou a sua preocupação "com o aumento do número de baixas entre a população civil" no conflito entre as forças separatistas arménias em Nagorno-Karabakh e o exército do Azerbaijão pelo oitavo dia consecutivo.

Depois de falar ao telefone com o chefe da diplomacia arménia, Zohrab Mnatsakanian, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, assumiu publicamente ter apelado a "um cessar-fogo o mais rapidamente possível" naquela região.

A posição russa em defesa da pacificação na região de Nagorno-Karabakh junta-se às palavras de outros líderes mundiais nos últimos dias, como o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Nagorno-Karabakh no centro de vários interesses

No centro das deterioradas relações entre Erevan e Baku encontra-se a região do Nagorno-Karabakh, no Cáucaso do Sul onde há interesses divergentes de diversas potências, em particular da Turquia, da Rússia, do Irão e de países ocidentais.

Este território, de maioria arménia, integrado em 1921 no Azerbaijão pelas autoridades soviéticas, proclamou unilateralmente a independência em 1991, com o apoio da Arménia.

Na sequência de uma guerra que provocou 30 mil mortos e centenas de milhares de refugiados, foi assinado um cessar-fogo em 1994 e aceite a mediação do Grupo de Minsk, constituído no seio da OSCE, mas as escaramuças armadas permaneceram frequentes.

Em julho deste ano, os dois países envolveram-se em confrontos a uma escala mais reduzida que provocaram cerca de 20 mortos. Os combates recentes mais significativos remontam a abril de 2016, com um balanço de 110 mortos.

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