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"Não há Deus senão Alá", as primeiras palavras de terrorista de Paris em tribunal

"Não há Deus senão Alá", as primeiras palavras de terrorista de Paris em tribunal

Começou, esta quarta-feira ao início da tarde, a primeira sessão do julgamento dos atentados de Paris, com as primeiras palavras de Salah Abdeslam, o único terrorista que sobreviveu ao ataque, perante o coletivo de juízes.

"Não há Deus senão Alá e Maomé como seu mensageiro", começou por dizer o suspeito, citando a Shahadah (uma declaração comum no Islão), durante os procedimentos iniciais da identificação dos réus. "Veremos isso mais tarde", respondeu Jean-Louis Périès, juiz que preside à sessão. De seguida, Salah confirmou a identidade e disse ter abandonado a sua profissão, para se tornar "um combatente do Estado Islâmico".

A segurança no histórico edifício do Palácio de Justiça da capital francesa, que engloba a Sainte-Chapelle, uma das maiores atrações da capital, foi reforçada com dezenas de carrinhas da polícia e ruas cortadas, mas a entrada no tribunal fazia-se de forma ordeira, esta quarta-feira de manhã. Perto da entrada, alinhavam-se câmaras de televisão com jornalistas que falam inglês, espanhol ou japonês. Devido à atenção mediática, as associações de vítimas aconselharam-nas a não vir nos primeiros dias de audiência.

Salah Abdeslam é o único terrorista que participou ativamente nos atentados de 13 de novembro de 2015, contra o portão D do estádio de futebol Stade de France, em Saint-Denis, cafés e restaurantes de dois bairros da capital e a sala de espetáculos Bataclan, em que morreram 130 pessoas e mais de 4.000 ficaram feridas, e sobreviveu.

Este belga de origem marroquina ajudou a preparar os ataques coordenados, deixou os seus companheiros no Stade de France para cometerem o ataque reivindicado pelo grupo terrorista Estado Islâmico, mas acabou por deitar fora o seu próprio colete de explosivos.

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Desde a sua prisão, no início de 2016, Abdeslam está em silêncio, recusando cooperar com as autoridades, referindo apenas que o que fez foi a pedido do irmão, Brahim, que morreu nos atentados.

No banco dos réus, no processo com início marcado para quarta-feira, estão mais 13 acusados por implicação na logística dos ataques. Seis pessoas vão ser julgadas sem se conhecer o seu paradeiro, perfazendo assim um total de 20 acusados.

Quanto às vítimas, há pelo menos 1.765 pessoas que se constituíram como partes civis, ou seja, diretamente afetadas pelo ataque. Entre elas há os feridos, mas também as famílias das vítimas mortais, assim como todas as pessoas que testemunharam o terror naquela noite no Stade de France e no 11.º bairro de Paris.

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