Caraíbas

Duas mães portuguesas sofrem pelos filhos no meio do furacão Irma

Duas mães portuguesas sofrem pelos filhos no meio do furacão Irma

A portuguesa Catarina Leite vive em Saint Barthélémy há quatro anos. Está refugiada num local mais seguro com os dois filhos, de 6 e 2 anos, mas teme o pior com o aproximar do furacão Irma. Em S. Mamede de Infesta, Matosinhos, acompanha a situação e Christina teme pela vida dos filhos, que vivem naquela ilha caribenha.

Pouco passa das 4 horas da madrugada em Saint Barthélémy, 10 horas da manhã em Portugal continental. Ao telefone, Catarina Leite, de 34 anos, descreve um cenário de "terror nunca visto". Entre os choro do filho mais velho e o zoar do vento, explica ao JN que teve que deixar a casa onde mora com tudo o que tinha lá dentro. "A esta hora já deve ter ido tudo pelo ar. Mas a minha maior preocupação era salvar-me a mim e aos meus filhos", diz.

A milhares de quilómetros do olho do furacão, Christina Silva, residente em São Mamede de Infesta, Matosinhos, sofre à distância pelos filhos, de 18 e 24 anos, que vivem em Saint Barthélémy. O mais novo, Hugo, emigrou há cinco com o pai. O mais velho, Ricardo, chegou há cerca de ano e meio à ilha, onde conheceu a namorada, que vive a cerca de dois quilómetros.

É da namorada de Ricardo que vão chegando informações sobre o furacão Irma. A jovem disse a Christina, por mensagem telefónica (onde mora, ainda há rede), que não tem notícias de Ricardo.

Ao JN, Christina disse que falou com os filhos terça-feira à noite. Hugo e Ricardo abasteceram-se com mantimentos e "gelo para se refrescarem" e estão trancados em casa, "muito preocupados e com medo". Todos os estabelecimentos comerciais e serviços estão encerrados.

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Esta não é a primeira vez que Ricardo e Hugo experienciam um fenómeno meteorológico do género, mas Christine assegura que a gravidade deste furacão "é bem maior".

Com ventos na ordem dos 300 quilómetros por hora, o furacão assusta os portugueses residentes na ilha. "Se sobrevivermos a isto, vai ser uma sorte", diz Catarina Silva, enquanto tenta acalmar o filho, que continua a chorar, pouco depois de a luz falhar. A casa onde se encontra, com mais duas pessoas e os dois filhos, está "numa das localizações mais seguras da ilha", mas nem isso a acalma: "Isto está cada vez pior. Corremos risco de vida".

São mais de três mil portugueses a viverem naquela ilha e já estavam avisados dos riscos associados ao Irma, desde quinta-feira. "Não é uma novidade. Em 2014 passamos pelo furacão Gonzalo. Mas não tem nada a ver com isto. É o pior furacão que alguma vez vi". Os supermercados estão vazios e não rua não há ninguém. As autoridades já evacuaram as zonas de maior perigo. "Mal soubemos do que estava para vir, fomos às compras para nos abastecermos", conta.

Em Portugal, a família está desesperada

Natural de Fafe, Catarina já conseguiu falar com os pais, que estão a viver o drama da filha. "Já me despedi dos meus pais e não sei se vou voltar a falar com eles", revela, assustada, no meio do pranto com portas a bater e o ruído do vento cada vez mais intenso.

"O meu pai deu-me força, mas a minha mãe está em pânico. Também fico preocupada com eles e tenho medo de não conseguir ligar-lhes novamente", lamenta.

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