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Naomi. "Anti-Greta" é a nova esperança de Trump na luta ambiental

Naomi. "Anti-Greta" é a nova esperança de Trump na luta ambiental

Alemã Naomi Seibt defende, no seu canal no YouTube, que "as alterações climáticas não vão destruir o Mundo". Já trabalha para o Instituto Heartland, de Chicago, próximo da Casa Branca.

Todo o super-herói tem o seu arqui-inimigo, contra quem luta por salvar o Mundo de um destino fatal. Agora, cabe à ativista ambiental sueca Greta Thunberg viver o crescimento de uma antagonista, com o surgimento da figura de Naomi Seibt, uma rapariga alemã de 19 anos, também loira, que vive em Minster, no leste da Alemanha, e defende, no YouTube, teorias conservadoras sobre o meio ambiente. E as suas opiniões e ascensão nas redes sociais já levaram o Instituto Heartland, em Chicago, nos Estados Unidos, a contratá-la precisamente como "voz" no espaço digital. A instituição tem uma relação próxima com a Administração norte-americana, presidida por Donald Trump, que também contesta o discurso de Thunberg sobre o perigo das alterações climáticas.

Desde a criação do seu canal, em maio, Seibt tem vindo a ser cada vez mais reconhecida no mundo da Internet e já acumula 61 mil subscritores, depois de disponibilizar 21 vídeos, alguns deles criticando a ideologia ambientalista de Thunberg com uma posição marcadamente desafiante e que provocaram diversas reações.

Num deles, a alemã fez um duro discurso que não deixou indiferente a sua "inimiga", a quem acusa diretamente de "ser mal-educada e imatura" na sua tentativa de doutrinar as pessoas com uma atitude "anti-humana", criando, assim, um panorama de histeria. "Não faz sentido entrar em pânico, quero que penses".

já dormiu com o inimigo

A história de Seibt é curiosa. Apoiou teorias ecologistas e chegou a experimentar os "Fridays for Future" - manifestações promovidas por Thunberg -, que acabaram por fazê-la mudar-se para o lado inimigo.

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Porém, a jovem alemã não gosta de ser conhecida como "Anti-Greta", embora todas as suas mensagens sejam contrárias às da sueca. Chega a imitar alguns dos gestos da menina de Estocolmo, como colocar a mão no queixo ou olhar fixamente a câmara, para a ridicularizar.

"O Mundo não vai acabar devido às alterações climáticas", sublinhou Seibt num dos seus vídeos mais famosos. Ela acredita que as previsões sobre as alterações climáticas são exageradas e apoia a sua teoria afirmando que "as emissões de gases têm repercussão no aquecimento global, mas não são tão graves como dizem os cientistas".

Esta caminhada até à fama virtual foi acompanhada pelo Instituto Heartland. Nesta guerra ambiental, que também se joga nos gabinetes da Casa Branca, a instituição adotou uma estratégia clara após contratar Naomi Seibt como imagem para as redes sociais. O objetivo da entidade é aumentar os seguidores das políticas conservadoras em relação ao meio ambiente e criar uma tensão crescente entre as duas raparigas.

Heartland aposta em partilhar conteúdo favorável da alemã no canal do instituto no YouTube, onde ela já tem 24 mil subscritores, ainda assim, muito longe dos milhões que apoiam Thunberg.

Na plataforma, destaca-se um vídeo comparativo entre os discursos das duas protagonistas sobre as alterações climáticas intitulado "Em quem deverás confiar?".

Além da sua postura sobre o clima, Seibt oferece, no seu canal, uma opinião política contra a imigração e o feminismo, muito próxima do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha, mas negou qualquer relação com o partido. Até agora.

Greta Thunberg

Começou por tornar-se notada por ter protestado em frente ao Parlamento sueco contra a inércia - segundo ela - das autoridades perante as alterações climáticas e viria a ser a líder do movimento "Greve das escolas pelo clima", que alastrou a vários países. Em dezembro de 2019, ano em que discursou na ONU, foi considerada a personalidade anual pela revista norte-americana "Time".

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