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Nasceu Abraham e morreu Agnes esvaída em sangue

Nasceu Abraham e morreu Agnes esvaída em sangue

Uma ativista mexicana pelos direitos dos gays, lésbicas e transexuais foi encontrada morta, sábado passado. Nasceu Abraham, morreu Agnes, esvaída em sangue, numa paragem de autocarro.

Agnes Torres Sulca foi vista, com vida, pela última vez na sexta-feira passada, a caminho de uma festa. Sábado de manhã, foi encontrada morta, esvaída em sangue, numa paragem de autocarro em Puebla, no município de Atlixco, no México.

"A causa de morte foi sangramento devido a uma ferida no pescoço; o corpo tinha também algumas queimaduras, na região da grade costal direita", reporta o jornal regional "Lado B", que noticia a morte da ativista mexicana.

Esta terça-feira, muitos amigos, familiares e simpatizantes dos valores que Agnes Torres defendia juntaram-se em Puebla numa homenagem à ativista mexicana, que lutou contra o preconceito e a discriminação, numa localidade marcada pelo fervor religioso e a homofobia.

A morte de Agnes Torres está, também, a mexer com as redes sociais. Através da hashtag #Agnes Torres levantou-se "uma mobilização digital para exigir à Procuradoria o respeito pela memória de quem se converteu num referente de dignidade para dezenas de transexuais e transgéneros de Puebla", conta a revista Processo.

Em vida, foi mal compreendida, mesmo no curso de Sociologia que fez na Universidade Veracruzana. Os colegas tinham dificuldades em olhar para Agnés quando o nome de matrícula no curso era Abraham Torres Hernández. A ativista era dupla vítima da indiferença: sofria com os homofóbicos e com os misóginos.

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Com Agnes Torres morre, também, um sonho de igualdade. "O meu sonho é viver numa cultura melhor, onde a hospitalidade e o respeito sejam os valores principais", escreveu a ativista, na página pessoal no Facebook. "Todas as manhãs acordo e faço muito mais do que apenas escrever para que o meu sonho se torne realidade", pode ler-se, ainda, na mesma mensagem colocada naquela rede social.

A morte de Agnes Torres causou "grande indignação" entre a comunidade Lésbica, Gay e Transexual (LGBT). A Associação Civil Vida Plena de Puebla (ACVP) "condenou e repudiou energicamente o brutal crime" e exigiu que seja investigado "como se tivesse sido assassinada a mulher, a mãe ou a filha de um governador, um legislador ou um procurador do Ministério Público", acrescenta o Lado B.

Aquela associação apelou ao governador Rafael Moreno Valle, ao Congresso do Estado e ao procurador de Justiça a tipificação dos crimes de ódio, que terão custado a vida a 640 pessoas, entre gays, lésbicas e transexuais, entre 1995 e 2009. "Tudo o que temos recebido é desdém, omissões e agressões da parte de diferentes autoridades e políticos", lamentou a ACPV.

Segundo o portal da CNN no México, aquele país da América Central está em segundo lugar, a seguir ao Brasil, entre os que mais crimes se comentem contra pessoas da comunidade LGBT, embora não haja dados oficiais.

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