O Jogo ao Vivo

Mundo

NATO nega ter deixado morrer à sede e à fome 61 migrantes

NATO nega ter deixado morrer à sede e à fome 61 migrantes

A NATO negou, categoricamente, esta segunda-feira, ter recusado salvar migrantes africanos, no final de Março, quando o barco estava à deriva entre a Líbia e a ilha italiana de Lampedusa, o que provocou a morte por fome e sede de 61 pessoas.

Um barco com migrantes clandestinos que tentava chegar à ilha italiana de Lampedusa foi deixado à deriva no Mediterrâneo, apesar do pedido de ajuda às autoridades.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, a embarcação, que transportava um total de 72 passageiros, entre os quais várias mulheres, crianças e refugiados políticos, foi deixada 16 dias à deriva, depois de as unidades europeias e da NATO terem aparentemente ignorado os pedidos de auxílio, revela o jornal britânico "The Guardian".

"A NATO tomou conhecimento de um artigo de jornal afirmando que um porta-aviões da NATO deixou 61 migrantes morrerem no mar, a 29 ou 30 de Março, entre Tripoli e Lampedusa", disse um porta-voz da organização, referindo-se a uma pesquisa divulgada, ontem, domingo, pelo jornal britânico The Guardian, que acusa a NATO de ter, deliberadamente, ignorado o naufrágio.

"Um único porta-aviões estava sob comando da NATO naquela altura, o navio italiano Garibaldi, e encontrava-se a mais de 160 quilómetros da costa", disse Carmen Romero.

"Portanto, qualquer afirmação sobre um porta-aviões da NATO ter visto e, em seguida, ignorado o navio em dificuldades é falsa", salientou.

O porta-voz reiterou que os navios da NATO já salvaram "centenas de vidas no mar" e sublinhou, nomeadamente, que na noite de 26 para 27 de Março, navios da NATO resgataram um total de mais 500 pessoas cujos barcos estavam em dificuldades ao largo da costa da Líbia, durante duas operações distintas.

Segundo o The Guardian, os factos remontam ao final do mês de Março, altura em que o barco zarpou de Tripoli, na Líbia, com destino à ilha italiana de Lampedusa. Os pedidos de auxílio foram feitos à guarda costeira italiana, a um helicóptero militar e a um navio da NATO. Em vão, a ajuda nunca chegou.

Durante 16 dias, os 72 passageiros agonizaram à deriva no mediterrâneo, sem comida e sem água. 61 morreram.

"Acordávamos todas as manhãs e encontrávamos sempre mais corpos. Esperávamos 24 horas antes de atirar os corpos à água", contou ao "The Guardian" Abu Kurke, um dos nove sobreviventes da tragédia. "No final, já nem conseguíamos saber sequer de nós próprios... Estávamos todos a rezar ou a morrer".

Os migrantes teriam, primeiramente, contactado por telefone via satélite uma associação de defesa dos direitos dos refugiados em Roma, que, por sua vez, alertou a Guarda Costeira italiana. Um helicóptero militar teria sobrevoado o barco que se encontrava a cerca de 100 quilómetros ao largo de Tripoli.

"Os pilotos, que usavam uniformes militares, lançaram garrafas de água e pacotes de biscoitos e acenaram para os passageiros para se manterem no local até que um barco salva-vidas se juntasse a eles. O helicóptero desapareceu e a ajuda não chegou", afirma o jornal, que reconstituiu o relato do naufrágio com a ajuda do testemunho dos sobreviventes.

Nenhum país admitiu ter estabelecido contacto com o navio de migrantes segundo o jornal.

Depois de vários dias à deriva "a 29 ou 30 de Março, o barco aproximou-se de um porta-aviões da NATO tão perto que era impossível que não tivessem avistado o barco." De acordo com os sobreviventes, dois aviões decolaram do porta-aviões e sobrevoaram a embarcação a baixa altitude, enquanto os migrantes estavam em pé, acenando com os dois bebês com fome. Incapaz de se aproximar do porta-aviões, o barco andou à deriva.

A legislação marítima internacional obriga todas as autoridades, incluindo as militares, à resposta a todos os pedidos de auxílio e à prestação de ajuda sempre que possível.

As organizações de defesa dos direitos dos refugiados pediram já a investigação do caso, enquanto a agência das Nações Unidas para os Refugiados apelou à cooperação entre as embarcações comerciais e militares, num esforço para salvar vidas no Mediterrâneo.

"O Mediterrâneo não pode transformar-se no Oeste selvagem", disse a porta-voz da organização, Laura Boldrini. "Os que não resgatarem pessoas do mar, não poderão ficar impunes".

A tensão política e militar vivida este ano no Norte de África fez aumentar o número de pessoas que tentam chegar à Europa por mar. Nos últimos quatro meses, acredita-se que um total de 30 mil migrantes tentaram a sorte, fazendo-se ao Mediterrâneo.

Em Abril, mais de 800 pessoas de diferentes nacionalidades deixaram a Líbia, com destino à Europa, nunca foram localizados. Presume-se que terão morrido.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG