Rússia

Navalny pede protestos em massa contra o Governo

Navalny pede protestos em massa contra o Governo

"Não tenham medo. Vão para a rua, não por mim, mas por vocês mesmos, pelo vosso futuro". As palavras são do líder da oposição na Rússia, Alexei Navalny, que apelou ao povo russo que protestasse contra o Governo, depois de ter sido condenado a 30 dias de prisão preventiva.

Navalny havia sido detido no domingo, à chegada a Moscovo, vindo de Berlim, por, alegadamente, ter violado os termos da pena suspensa por peculato numa filial da empresa francesa de cosméticos, Yves Rocher. A detenção levou a rede nacional de Navalny a organizar manifestações, marcadas para sábado, em toda a Rússia.

A audiência em que ficou decidida a detenção de Navalny foi realizada dentro de uma esquadra da polícia, em Khimki, perto de Moscovo, um dia depois do opositor e crítico de Vladimir Putin, presidente da Rússia, regressar da Alemanha, onde esteve cinco meses em tratamento médico depois de ser alvo de envenenamento, e o opositor político nem teve direito a julgamento.

"Já vi muitas vezes a justiça ser ridicularizada, mas nunca tanto [como agora]. O avô [Vladimir Putin] está com tanto medo de tudo que simplesmente rasgou e atirou o código de processo penal para o lixo", afirmou Navalny, num vídeo gravado com o seu próprio telefone no tribunal improvisado.

Ainda na resposta à detenção, Navalny apelou a protestos em massa, revela o jornal britânico "The Guardian". "Não há nada que os ladrões nos seus abrigos [referindo-se ao Governo] temam mais do que pessoas na rua", afirmou o opositor político.

Críticas internacionais

Navalny aguarda agora nova audiência sobre o caso Yves Rocher, marcada para 29 de janeiro, na qual poderá ser revogada a decisão de 2014 na qual foi condenado a três anos e meio de prisão com liberdade condicional pelo desvio de dinheiro numa filial da empresa.

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Os serviços prisionais da Rússia alegam que o opositor violou, repetidamente, a liberdade condicional e fizeram uma petição para converter a pena suspensa em prisão. Se o tribunal aprovar a petição Navalny poderá cumprir pena de prisão até 2024.

Perante a decisão das autoridades russas, os apelos e as críticas não pararam de surgir. A União Europeia condenou a detenção e pediu a libertação imediata, sublinhando que "a politização do poder judicial é inaceitável" e que "os direitos de Navalny devem ser respeitados". Também a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) exigiu libertação lembrando a Rússia dos seus "compromissos internacionais".

Por sua vez, a vizinha Ucrânia pediu à comunidade internacional "medidas mais decisivas" e denunciou a continuação de "práticas repressivas" das autoridades russas. "Olhamos para a situação de Navalny como a continuação da prática vergonhosa do Kremlin de atacar os direitos humanos e suprimir a liberdade de expressão", disse a diplomacia ucraniana.

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