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Navios de cruzeiro: o plano para acolher refugiados que está a causar polémica

Navios de cruzeiro: o plano para acolher refugiados que está a causar polémica

O governo dos Países Baixos está a planear acolher os refugiados que chegam ao país em navios de cruzeiro, numa altura em que os centros de asilo estão superlotados.

Três navios já foram comissionados e um deverá ancorar em Velsen, perto de IJmuiden, na Holanda do Norte, embora o governo ainda esteja a tentar encontrar mais portos dispostos a receber as embarcações. As autoridades também estão analisar a forma como poderão permitir que os refugiados entrem e saiam livremente dos navios, a fim de evitar alegações de que estão a ser mantidos em cativeiro ilegal pelo Estado.

A medida surge numa altura em que os centros de refugiados estão lotados devido ao grande número de ucranianos que fugiu do país por causa da guerra. Segundo o "The Guardian", refugiados foram forçados a dormir na relva do lado de fora de um centro de refugiados na vila de Ter Apel, no norte da Holanda, devido à sobrelotação do campo.

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Segundo os planos do governo dos Países Baixos, cerca de três mil refugiados poderão ser alojados nos navios de cruzeiro a partir de setembro.

"Absurdo" e "indesejável"

O plano do governo enfureceu diversas ONGs. O conselho para refugiados descreveu a ideia de colocar requerentes de asilo em navios como "absurda". "A receção dos requerentes de asilo está agora muito abaixo do padrão. Um navio de cruzeiro como medida temporária já é muito melhor do que um abrigo de emergência normal. Mas é uma história diferente se os deixar a flutuar no mar", disse um porta-voz do VluchtelingenWerk. "Cuida-se dos refugiados como uma sociedade e não à distância no mar".

Por sua vez, o departamento de refugiados da ONU, o ACNUR Holanda, considerou a medida como "indesejável". "Podem ressurgir em alguns [refugiados] traumas existentes devido à fuga perigosa", alertou.

Medidas alternativas para os ucranianos

Vozes críticas também se levantaram com a sugestão do Governo de uma diferença de tratamento entre os refugiados ucranianos e refugiados de outros países. De acordo com o secretário de Estado Eric van der Burg, algumas autoridades locais concordaram em acolher refugiados ucranianos, mas não outras nacionalidades. Assim, o governo está a considerar acolher os ucranianos em municípios onde são particularmente bem-vindos e, assim, libertar espaço noutras partes do país.

Desde o início da guerra em 24 de fevereiro, aproximadamente 60 mil ucranianos chegaram aos Países Baixos.

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