Napolas

Nazis usaram colégios britânicos como modelo para criar escolas de elite

Nazis usaram colégios britânicos como modelo para criar escolas de elite

O regime nazi inspirou-se nos colégios britânicos para criar as Napolas, escolas de elite que visavam educar os futuros líderes do Terceiro Reich, revela uma nova investigação de uma universidade do Reino Unido.

Um novo livro, escrito pela historiadora da Durham University Helen Roche, mostra que os nazis estavam interessados em aprender com o sistema educativo britânico antes da II Guerra Mundial. O documento baseia-se em pesquisas feitas em 80 arquivos de seis países e em testemunhos de mais de 100 antigos alunos.

Entre 1934 e 1939, houve um grande número de intercâmbios e de torneios desportivos entre escolas britânicas e alemãs, tendo rapazes das escolas mais prestigiadas da Grã-Bretanha passado longos períodos de tempos nas Napolas, cujas autoridades queriam aprender com o sistema britânico, na esperança de criar um modelo superior para as suas próprias escolas.

De acordo com o "The Guardian", enquanto as escolas particulares britânicas queriam educar "os governantes do secular império britânico", as Napolas queriam "treinar os governantes do Reich dos anos 2000".

Como eram as escolas nazis?

As três primeiras Napolas foram criadas em 1933 pelo então ministro da Ciência, Educação e Cultura Nacional, Bernhard Rust, como um presente de aniversário para Adolf Hitler. No final da guerra, havia 40 Napolas, incluindo quatro para meninas.

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Segundo Roche, as Napolas eram muito mais eficazes em educar politicamente os alunos do que, por exemplo, a Juventude Hitleriana, uma vez que as crianças frequentavam aqueles estabelecimentos desde tenra idade e eram altamente segregadas.

As escolas eram severas. Uma testemunha disse à investigadora que uma provação comum durante o exame de admissão era fazer com que as crianças de 10 anos que não sabiam nadar caminhassem 80 metros ao longo de um cais e saltassem de um trampolim de três metros para o Mar Báltico. "Nós, os mais velhos, trazíamo-los de volta. Ninguém deveria hesitar! Os que sabiam nadar tinham de saltar de uma janela do terceiro andar para um cobertor. Qualquer um que hesitasse poderia ir diretamente para casa novamente", contou.

Ver a Alemanha "com novos olhos"

Os arquivos mostram que um inspetor alemão elogiava frequentemente as escolas britânicas por serem formadoras de caráter. "Depois dessas viagens, o jovem verá a Alemanha com novos olhos; voltará rico em experiências; os seus horizontes estarão alargados. Detetará fraquezas em casa que deve ajudar a remediar. Aprenderá a amar a sua pátria mais profundamente", acreditava August Heissmeyer.

Os meninos das Napolas que participavam nestes intercâmbios eram vistos como "embaixadores culturais" da "nova Alemanha" e muitos dos rapazes e mestres britânicos ficavam impressionados com o que viam na Alemanha, embora as atitudes tenham mudado com a deterioração das relações.

"Nos primeiros dias do programa de intercâmbio, os meninos e mestres ingleses muitas vezes achavam que o que viam na Alemanha nazi e nas Napolas era, de certa forma, superior à situação na Inglaterra. Havia um sentimento, que se espalhou pela atitude britânica em relação à Alemanha, de que a Grã-Bretanha faria bem em emular a confiança racial da Alemanha e houve uma admiração pela força absoluta e desenvolvimento físico dos meninos alemães", explicou Roche.

"Podemos ver que o programa de intercâmbio fornece um microcosmos para atitudes mais gerais em relação ao regime nazi em nome do público britânico de classe média e alta - não totalmente convencido pelos objetivos e ideais do Terceiro Reich, mas preparado para dar aos alemães o benefício da dúvida, até que a beligerância nazi atingiu o seu clímax fatal", rematou.

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