Síria

Nenhuma fuga "importante" de extremistas do Estado Islâmico, dizem os EUA

Nenhuma fuga "importante" de extremistas do Estado Islâmico, dizem os EUA

Os Estados Unidos "não encontraram nesta fase uma grande fuga" de prisioneiros do grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI) detidos pelas forças curdas na Síria, apesar da ofensiva turca em curso, disse esta terça-feira um alto responsável norte-americano.

O único "incidente notável" envolveu uma centena de pessoas deslocadas, a maioria mulheres e crianças dos 'jihadistas', que desapareceram durante o avanço dos turcos, disse o mesmo responsável, que falou aos jornalistas sob a condição de anonimato.

Na segunda-feira, o ministro da defesa dos Estados Unidos, Mark Esper, tinha referido que a ofensiva militar turca contra uma milícia curda aliada dos ocidentais na luta contra o EI causou "a fuga de muitos detidos perigosos" entre os 'jihadistas'.

Contudo, no Pentágono, a convicção é que a referência é a algumas dezenas de prisioneiros que recuperaram a sua liberdade por várias razões, enquanto as forças curdas continuam a defender as prisões.

Cerca de 12 mil combatentes do Estado Islâmico, incluindo entre 2500 a 3000 estrangeiros, estão detidos em prisões controladas pelas milícias curdas no nordeste da Siria, segundo dados de fontes curdas. Além disso, os campos de deslocados no nordeste da Síria abrigam cerca de 12 mil estrangeiros, entre os quais 8000 crianças e 4000 mulheres.

O alto funcionário adiantou que Washington esta de "acordo, em princípio", com a ideia de uma reunião ministerial de urgência da coligação internacional anti-EI, proposta pelos franceses.

"Mas não faz sentido reunir-nos só para fazer uma reunião, queremos ver primeiro o que pode resultar [dessa reunião]", "que pressão adicional pode resultar para alcançar um cessar-fogo" entre os turcos e os curdos, disse.

O vice-presidente norte-americano, Mike Pence, vai partir para Ancara "nas próximas 24 horas", com a esperança de negociar esse cessar-fogo, segundo declarou esta tarde um alto funcionário em Washington.

Mike Pence, que tinha indicado na segunda-feira que em breve iria deslocar-se à Turquia a pedido do Presidente Donald Trump, irá à capital turca com o conselheiro de segurança nacional, Robert O'Brien, e com o enviado especial dos Estados Unidos para a Síria, James Jeffrey.

A ofensiva turca, lançada na passada quarta-feira, visa afastar do nordeste da Síria as forças curdas das Unidades de Proteção Popular (YPG), aliadas do ocidente na luta contra os 'jihadistas' do grupo Estado Islâmico, mas consideradas como terroristas por Ancara, devido às ligações com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, proibido na Turquia e classificado de terrorista também pelos Estados Unidos e pela União Europeia).

A ofensiva surge após o anúncio do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que as tropas dos Estados Unidos iam abandonar a zona em causa. Na segunda-feira, a coligação internacional 'anti-jihadista' liderada pelos Estados Unidos confirmou a sua retirada do nordeste da Síria.

A ofensiva de Ancara abre uma nova frente na guerra da Síria que já causou mais de 370.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados desde que foi desencadeada em 2011.