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Netanyahu diz que discurso de Abbas foi "difamatório e venenoso"

Netanyahu diz que discurso de Abbas foi "difamatório e venenoso"

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, criticou o discurso que o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, fez, esta quinta-feira, na Organização das Nações Unidas, classificando-o como "difamatório e venenoso".

"O mundo viu um discurso difamatório e venenoso, cheio de propaganda falaciosa, contra o exército israelita e os cidadãos de Israel. Quem quer a paz, não fala assim", disse Netanyahu.

O chefe do Governo de Israel reagia assim ao discurso que Abbas fez quando solicitou à Assembleia-Geral da ONU a atribuição à Palestina do estatuto de 'Estado observador não membro' da entidade.

Em comunicado distribuído pelo seu gabinete, Netanyahu acrescentou que "a decisão da ONU não muda nada no terreno", salientando que "não vai haver Estado palestiniano sem estar garantida a segurança dos cidadãos de Israel".

Acrescentou ainda que "ao apresentarem a sua pretensão à ONU, os palestinianos violaram os seus acordos com Israel e que Israel vai agir em consequência".

Aludia desta forma aos acordos de Oslo, de 1993, que preveem que a criação de um Estado palestiniano deve resultar de negociações israelo-palestinianas e não de uma iniciativa unilateral.

No seu discurso, Abbas convidou a Assembleia-Geral da ONU a assinar "a certidão de nascimento" do Estado da Palestina ao atribuir-lhe o estatuto de 'Estado observador' da ONU.

Afirmou ainda que o voto constituía a "última hipótese de salvar a solução dos dois Estados" [Israel e Palestina] e prometeu "tentar reanimar as negociações" de paz com Israel, que estão em ponto morto desde há dois anos.

"Não viemos aqui para complicar o processo de paz (...), mas para procurar um último esforço sério para conseguir a paz", prometeu Abbas.

"Entretanto, acima de tudo, afirmo que o nosso povo não renunciará aos seus diretos nacionais inalienáveis, definidos pelas resoluções da ONU", destacou.

Abbas fez no seu discurso várias referências à "recente agressão israelita" contra a Faixa de Gaza, considerando que o exército israelita se tinha comportado "de forma bárbara e horrível".

A propósito, disse ainda que "chegou o momento de o mundo dizer claramente [a Israel] que basta de agressão, de colónias e de ocupação".

O novo estatuto da Palestina, aprovado hoje à noite com 138 votos a favor, nove contra e 41 abstenções, vai permitir reclamar a sua entrada em diversos organismos e entidades internacionais, como as várias agências da ONU e o Tribunal Penal Internacional.