Prémio

Nobel da Paz para o presidente da Colômbia

Nobel da Paz para o presidente da Colômbia

O Comité Nobel norueguês anunciou, esta sexta-feira, que o presidente da Colômbia Juan Manuel Santos é o Nobel da Paz 2016.

Os esforços para pôr fim à guerra civil do país, que durou mais de 50 anos e matou pelo menos 220 mil colombianos, valeram-lhe a distinção.

O prémio deve também ser visto "como um tributo ao povo colombiano, que apesar de grandes dificuldades e abusos, não perdeu a esperança de uma paz justa", assim como a todas as partes que contribuíram para o processo de paz, pode ler-se no comunicado do comité.

"Este tributo é prestado, não menos importante, aos representantes das inúmeras vítimas da guerra civil", que fez mais de 220 mil mortos e seis milhões de deslocados.

Questionada pelos jornalistas sobre se o comité considerou atribuir o prémio a mais partes, nomeadamente ao líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que a 26 de setembro assinou um acordo de paz histórico com Juan Manuel Santos, a presidente do Comité Nobel Norueguês escusou-se a comentar outros candidatos.

"Há muitas partes no processo de paz. O presidente Santos tomou uma iniciativa histórica, ele dedicou-se completamente, com grande força de vontade, para alcançar o resultado", disse a presidente, Kaci Kullmann Five, acrescentando que o comité vê este prémio como "um forte encorajamento para todas as partes neste processo negocial".

Sobre a eventual contestação à decisão do comité, uma vez que o acordo de paz entre a Colômbia e as FARC foi rejeitado pela maioria dos colombianos em referendo, a presidente admitiu ser comum o Nobel da Paz ser contestado, mas garantiu que o objetivo foi "honrar o trabalho que foi feito por todas as partes" e manifestar "apoio ao povo colombiano".

"Não é desrespeito. É claro que respeitamos o processo democrático e o voto do povo, mas eles não disseram não à paz, apenas a este acordo", sublinhou, afirmando que "é extremamente importante evitar que a guerra civil recomece".

No seu comunicado, o Comité Nobel norueguês recorda que Juan Manuel Santos iniciou as negociações que levaram ao acordo de paz entre o Governo colombiano e as guerrilhas da FARC, procurando consistentemente levar o processo de paz adiante.

Embora soubesse que o acordo era controverso, o presidente garantiu que os eleitores colombianos podiam manifestar a sua opinião sobre o acordo em referendo, relembra o comunicado.

"O resultado do referendo não foi o que o presidente Santos queria: uma curta maioria dos mais de 13 milhões de colombianos que votaram disse não ao acordo. Este resultado criou grande incerteza sobre o futuro da Colômbia. Há um perigo real de o processo de paz parar e de a guerra civil recomeçar. Isto torna ainda mais importante que as partes, lideradas pelo Presidente Santos e pelo líder das guerrilhas das FARC, Rodrigo Londoño, continuem a respeitar o cessar-fogo".

O Comité sublinha que o facto de o referendo ter sido rejeitado nas urnas não significa que o processo de paz tenha morrido.

"O que o lado do 'não' rejeitou não foi o desejo de paz, mas um acordo específico", recorda o comunicado, sublinhando que o próprio presidente tornou claro que continuará a trabalhar pela paz até ao último dia do seu mandato.

O comité espera, por isso, que o Nobel da Paz lhe dê força para alcançar esse objetivo, porque só quando o país puder recolher os frutos do processo de paz e reconciliação será possível abordar eficazmente outros desafios, como a pobreza, a injustiça social e o crime associado à droga.

O Governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) assinaram a 26 de setembro um acordo de paz histórico, prevendo a desmobilização dos 5765 combatentes da guerrilha e a conversão das FARC em movimento político legal.

O Nobel da Paz distingue a pessoa ou organização que mais tenha trabalhado "pela fraternidade entre nações, pela abolição ou redução de exércitos permanentes e pela organização ou realização de congressos de paz", segundo o testamento do criador dos prémios, Alfred Nobel.

Este ano, o Comité Nobel recebeu um número recorde de candidaturas ao Nobel da Paz, 376, dos quais 228 pessoas e 148 organizações.

O Comité só pode divulgar os nomes dos candidatos ao fim de 50 anos, pelo que estes só são conhecidos antes se forem divulgados pelas entidades que os nomeiam.

O Nobel da Paz é o único atribuído fora de Estocolmo, de acordo com a decisão de Alfred Nobel, já que na época a Noruega integrava o Reino da Suécia.

A entrega dos Nobel realiza-se, de acordo com a tradição, em duas cerimónias paralelas, a 10 de dezembro, em Oslo para o prémio da Paz e em Estocolmo para os restantes, data de aniversário da morte do químico e industrial sueco.