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Nobel da Química melhora medicamentos contra cancro

Nobel da Química melhora medicamentos contra cancro

O Prémio Nobel da Química, atribuído esta quarta-feira a três cientistas cujo trabalho permite orientar melhor os produtos farmacêuticos contra o cancro, tornou um dos laureados, o norte-americano Barry Sharpless, na quinta pessoa a receber dois Nobel.

Depois de ter sido laureado também na área de Química, em 2001, Sharpless entra, a partir de hoje, para a muito restrita lista de pessoas que conseguiram receber o Nobel por duas vezes, juntando-se a John Bardeen, Marie Curie, Linus Pauling e Frederick Sanger.

Sharpless recebeu o Prémio de Química em 2001, também em trio, pela investigação de um caminho para sintetizar moléculas e matéria com novas propriedades, aproveitando apenas a sua parte boa, contribuindo para resolver um problema crucial da indústria farmacêutica.

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Hoje, Sharpless foi laureado em conjunto com a sua compatriota norte-americana Carolyn Bertozzi e com o dinamarquês Morten Meldal pelo desenvolvimento da química do clique e da química 'bioorthogonal'.

O trabalho dos premiados deste ano contribuiu para melhorar os medicamentos contra o cancro, avançou a Real Academia de Ciências da Suécia, que atribui os Nobel, acrescentando que a investigação "ultrapassa as fronteiras [da química] e tem um grande impacto na ciência e na sociedade".

"A química do clique é usada no desenvolvimento farmacêutico, para mapear o DNA e criar materiais mais adequados à finalidade. Usando reações 'bioorthogonais', os investigadores melhoraram o direcionamento dos fármacos anticancerígenos", explicou a academia sueca.

O prémio recompensa trabalhos que "facilitam processos difíceis. A química do clique e as reações 'bioorthogonais' trouxeram a química para a era do funcionalismo", acrescentou.

Segundo a mesma fonte, os vencedores deste ano "estabeleceram as bases para uma forma funcional de química, a química do clique, na qual os blocos de construção molecular são unidos de forma rápida e eficiente".

Bertozzi, em particular, "levou a química do clique para uma nova dimensão e começou a usá-la em organismos vivos. As suas reações 'bioorthogonais' ocorrem sem perturbar a química normal da célula".

A academia sueca lembrou que "já há muito tempo que os químicos são movidos pelo desejo de construir moléculas cada vez mais complicadas" e, "na pesquisa farmacêutica, isso envolveu, muitas vezes, a recriação artificial de moléculas naturais com propriedades medicinais".

Isso deu origem a muitas construções moleculares admiráveis, mas geralmente são demoradas e têm uma produção muito cara, referiu a academia, em comunicado.

Sharpless, que agora está a receber o seu segundo Prémio Nobel de Química, começou a "dar o pontapé inicial", alegou a academia, lembrando que este cientista criou o conceito de química do clique, uma forma simples e confiável de química, na qual as reações ocorrem rapidamente e os subprodutos indesejados são evitados.

Pouco tempo depois, Meldal e Sharpless, independentemente um do outro, apresentaram o que é agora a joia da coroa da química do clique: a cicloadição azida-alcino catalisada por cobre.

"Esta é uma reação química elegante e eficiente que é agora de uso generalizado. Entre muitos outros usos, permite o desenvolvimento de produtos farmacêuticos, para mapear DNA e criar materiais mais adequados para o objetivo final", explicou a academia.

Por seu lado, Bertozzi conseguiu usar a química do clique para mapear biomoléculas importantes, mas evasivas, na superfície das células (glicanos), desenvolvendo reações de clique que funcionam dentro de organismos vivos.

As suas reações 'bioorthogonais' acontecem sem alterar a química normal da célula, acrescentaram os responsáveis da instituição do Nobel.

"O Prémio de Química deste ano tenta não complicar demais as coisas, mas trabalhar com o que é fácil e simples. Moléculas funcionais podem ser construídas mesmo seguindo um caminho direto", afirmou o presidente do Comité Nobel de Química, Johan Åqvist.

O prémio hoje atribuído é o último do grupo dos científicos, depois de ter sido anunciado o da Medicina na segunda-feira e o da Física na terça-feira.

Na quinta-feira será a vez do Nobel da Literatura, na sexta-feira será anunciado o da Paz e na próxima segunda-feira o da Economia.

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