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Noruega proíbe criação e venda das raças buldogue inglês e cavalier king charles

Noruega proíbe criação e venda das raças buldogue inglês e cavalier king charles

O Tribunal Distrital de Oslo decidiu, por unanimidade, proibir a criação e venda das raças buldogue inglês e cavalier king charles spaniels na Noruega. Em causa está uma alegada violação à Lei de Bem-Estar Animal do país.

O tribunal deu razão à Sociedade de Proteção Animal da Noruega, que alegava a existência de um processo de seleção e reprodução, considerado um atentado ao bem-estar e saúde dos animais, com graves implicações no normal crescimento e desenvolvimento dos cães.

No caso do buldogue inglês, tal como explica o Bulldog Club, é cada vez mais notória a diferença entre a raça ancestral e a atual, sendo que o buldogue inglês, tal como o conhecemos agora, é dotado de um aspeto mais robusto, peso maior, cabeça enrugada e focinho mais achatado, características que interferem diretamente na respiração e transpiração dos cães e podem, em algum momento, revelar-se fatais.

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A decisão conhecida a 31 de janeiro é o culminar de uma longa batalha judicial, com início em 2018, disputada entre Sociedade de Proteção Animal Norueguesa e os organismos dedicados à criação das raças inglesas no país, entre eles, o Norwegian Cavalier Club, o Norwegian Bulldog Club e o Norwegian Kennel Club (NKK). Este último, já refutou, entretanto, a decisão do Tribunal.

"Está longe de ser óbvio que isto seja um fortalecimento do bem-estar dos cães", disse o responsável, Kjetil Johansen, ao MailOnline, acrescentando que as pessoas vão continuar a comprar as raças, "mas de criadores irresponsáveis e de países com um padrão de saúde mais baixo do que os do Kennel Club e de outros clubes na Noruega".

A determinação do tribunal, constitui, na ótica de Bill Lambert, do Kennel Club do Reino Unido, a iminência da criação e contrabando ilegal de buldogue inglês e cavalier king charles. "Sabemos que as proibições definitivas de raças não funcionam - vimos isso no Reino Unido, onde foram feitas tentativas em 1991, com a Lei de Cães Perigosos. Isso simplesmente serviu para direcionar a criação desses cães para a clandestinidade, levando a um grande número de animais não-registados, pelo que é impossível chegar aos criadores ou compradores desses cães ou ter algum impacto na saúde e bem-estar da raça", disse ao MailOnline.

Por outro lado, Âshild Roaldset, da Sociedade de Proteção Animal da Noruega, considera que o desfecho do processo é um "veredicto histórico" e representa "acima de tudo, uma vitória para os cães".

"Os problemas de saúde dos buldogues são conhecidos desde o início do século XX. Os cães têm o direito de serem criados de forma saudável", concluiu, em declarações ao The Telegraph.

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