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Nova Constituição não atraiu marroquinos

Nova Constituição não atraiu marroquinos

O Governo marroquino tentou mobilizar a população para as eleições mais importantes desde a independência do país, em 1956. E, apesar desta sexta-feira haver mais eleitores nas mesquitas do que nas urnas, a participação superou os resultados da manhã.

Segundo o Ministério do Interior marroquino, a taxa de participação eleitoral tinha chegado aos 45%, tendo ao final da manhã ficado pelos 11,5%. Foi, ainda assim, uma participação superior à registada nas eleições legislativas de 2007, que alcançaram uma taxa de 37%. Só este sábado serão conhecidos os resultados definitos.

Contudo, os números avançados pelo Governo foram calculados sobre os 13,5 milhões de marroquinos inscritos nas litas eleitorais. Mas há que considerar que mais de oito milhões de maiores de 18 anos não se inscreveram por desconhecimento ou desleixo.

"As eleições ocorreram num contexto normal e num clima de compromisso e responsabilidade", disse o ministro do Interior Taib Cherkaoui. Contudo, foram registados boicotes e manifestações em vários pontos do país, nomeadamente, um protesto organizado pelo movimento 20 de Fevereiro, que nasceu no calor das revoluções populares na Tunísia.

Mesquitas cheias, urnas vazias

Sexta-feira, dia sagrado por excelência para os muçulmanos, a maioria dos marroquinos chamados a eleger os 395 deputados do Parlamento preferiu cumprir os rituais religiosos do que ir às urnas. Nem os anúncios televisisvos, nem as mensagens de telemóvel enviadas pelo Governo convenceram mais de metade da população a votar.

Como parte do movimento da "Primavera Árabe", Marrocos avançou com a consulta popular logo a seguir à Tunísia e antes do Egipto, dois países onde o Islão e a política atravessam uma fase de florescimento.

O Partido da Justiça e Desenvolvimento, islâmicos moderados, de Abdellah Benkirane, que sempre esteve na Oposição, com 47 deputados, espera agora obter um êxito semelhante ao do tunisino Ennahda, no final de Outubro passado.

Os seus dois principais adversários são dois partidos experientes, membros do Governo de coligação: o Istiqlal (independentista), do primeiro-ministro Abbas El Fassi e a União Nacional dos Independentes (liberais), cujo secretário-geral é o actual ministro das Finanças, Salaheddine Mezouar.

Note-se que estas eleições estavam inicialmente previstas para Setembro do próximo ano, mas foram antecipadas pela reforma constitucional do rei Mohamed VI, que vem aprofundar a separação de poderes e que foi aprovada no passado dia 1 de Julho.

Apesar de a nova Constituição ir ao encontro de muitas reivindicações da população, o novo texto não foi suficiente para atrair os marroquinos às urnas. Em suma, o rei cedeu à pressão popular e transferiu parte dos seus poderes para o chefe do Governo que o monarca designará no partido passados mais de três anos de representação parlamentar.

Tratam-se das eleições mais importantes no país nos últimos 55 anos. E, curiosamente, nenhum dos partidos tem deputados suficientes para cobrir os 38 mil colégios eleitorais dispersos por todo o país.

Boletins para analfabetos

Segundo os últimos dados do Governo, 32% da população marroquina é analfabeta. Por esse motivo, para muitos, os partidos políticos são identificados através de símbolos, como uma pompa ou uma rosa, nos boletins de voto. Mas alguns dos logotipos são mais invulgares. É o caso do golfinho, do avião, do carro ou da vela.

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