EUA

Nova vaga de tiroteios deixa Joe Biden sob pressão

Nova vaga de tiroteios deixa Joe Biden sob pressão

Legislação mais dura no controlo de armas já foi aprovada na Câmara dos Representantes, mas presidente ainda não conseguiu convencer os republicanos do Senado.

O drama repete-se, Administração atrás de Administração, as promessas acumulam-se. No impasse entre a discussão e a aprovação, ou rejeição, de novas leis para controlar as armas de fogo em território norte-americano, continuam-se a somar as vítimas de tiroteios. Em três semanas, morreram 30 pessoas.

Avanços foram feitos no início de março, quando a Câmara dos Representantes, onde os democratas, do presidente, Joe Biden, têm uma magra maioria, aprovou duas propostas de lei que determinam o reforço na verificação de antecedentes dos compradores de armas e que dão ao FBI dez dias para investigar o cadastro federal antes da venda de armas ser licenciada. Mas o desafio mantém-se: fazer com que sejam aprovadas no Senado, onde a maioria, privilegiada, também é dos democratas, mas sujeita à exigência da aprovação por 60 dos 100 senadores em alguns dossiês, como é o caso do das armas.

O tema não é novo para Biden, que há décadas defende restrições no controlo de armas e que chegou a pressionar Barack Obama, de quem foi vice-presidente, a tomar mais medidas neste campo. Prometeu, inclusive, durante a campanha eleitoral do ano passado, voltar a instituir a proibição de armas de assalto, medida que esteve em vigor entre 1994 e 2004, e enviar ao Congresso um projeto de lei no primeiro dia de mandato, 20 de janeiro, para iniciar os trabalhos na pasta da lei de armas.

apelo ao bom senso

Mas, apesar da vontade em avançar celeremente num dos temas mais discutidos durante as administrações, a proposta chegou várias semanas depois da tomada de posse e encontrou os mesmos entraves de sempre: os conservadores, tal como o ex-presidente Donald Trump defendem que impor limitações viola o direito ao porte de armas, previsto na Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos. No desencontro de opiniões, as armas continuam a circular.

Em 78 dias da presidência de Biden, os Estados Unidos registaram 132 incidentes com armas e mais de 11 mil vítimas mortais. Biden tem apelado ao "bom senso" dos congressistas. "Não preciso esperar nem mais um minuto, muito menos uma hora, para tomar medidas de bom senso que salvarão vidas e para exortar os meus colegas na Câmara e no Senado a agir", disse, insistindo que é necessário "também proibir as espingardas de assalto", as mesmas armas com que dois jovens de 21 anos mataram, em casos diferentes, 18 pessoas.

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O fulgor parece, contudo, ter afrouxado, quando, confrontado com os atrasos na discussão da lei das armas, Biden esquivou-se aos pormenores das suas propostas ao afirmar que era tudo "uma questão de tempo". Claro ficou que no topo da sua agenda está a pasta das infraestruturas.

A regra de obstrução - exigência de uma maioria de 60 votos - tem sistematicamente bloqueado a aprovação de legislação, sobre a qual a discórdia entre democratas e republicanos é grande. No caso da aprovação de novas medidas para o porte de armas, o cenário deverá repetir-se. Os democratas já falam "em convenção política" para tentar findar ou alterar aquela regra.

Cinco casos em 20 dias

6 abril

Um homem, de 46 anos, matou a tiro a mãe da sua filha e as duas crianças de um relacionamento anterior da vítima, em Nova Iorque, durante o 9.o aniversário da filha. Suicidou-se e foi encontrado junto a duas armas.

3 abril

Três pessoas morreram e nove ficaram feridas em dois tiroteios ocorridos em Wilmington, na Carolina do Norte, e em Tuscaloosa, Alabama.

1 abril

Quatro pessoas morreram num tiroteio na localidade de Orange, na Califórnia, incluindo uma criança.

23 março

Dez indivíduos, incluindo um polícia, morreram num tiroteio num supermercado, na cidade de Boulder. O atirador, de 21 anos, usou uma espingarda de assalto tipo AR-15.

17 março

Oito pessoas foram mortas a tiro em duas casas de massagens asiáticas na zona de Atlanta por Robert Aaron Long, de 21 anos. Quatro pessoas ficaram feridas.

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