Reino Unido

Novo ensaio clínico estuda mistura de vacinas em doses diferentes

Novo ensaio clínico estuda mistura de vacinas em doses diferentes

Está em curso no Reino Unido um ensaio clínico que visa verificar se administrar diferentes vacinas de covid-19 na primeira e segunda doses será tão seguro como a atual abordagem de usar o mesmo tipo de vacina nas duas inoculações.

O objetivo principal da investigação é permitir uma maior flexibilidade, ajudando a lidar com uma eventual interrupção do fornecimento de determinada vacina. O estudo Com-Cov, conduzido pelo Consórcio Nacional de Avaliação do Cronograma de Imunização e divulgado esta quinta-feira pelo Governo britânico, envolverá mais de 800 voluntários com mais de 50 anos, residentes em Inglaterra. Alguns vão receber a vacina da AstraZeneca seguida pela da Pfizer e outros vice-versa, com quatro ou 12 semanas de intervalo (podem ser adicionadas outras vacinas ao ensaio à medida que forem aprovadas pelo regulador). A equipa responsável vai monitorizar tanto os exames ao sangue dos voluntários, para confirmarem a reação do sistema imunológico, como eventuais efeitos colaterais que surjam.

Conclusões só no verão

A chamada "task force" criada pelo Governo para o processo de vacinação, equipa que coordena o plano de imunização no país, doou cerca de sete milhões de libras (quase oito milhões de euros) para financiar a investigação, que também vai fornecer dados sobre o impacto das vacinas em novas variantes e os efeitos das segundas doses em quatro e 12 semanas.

Embora o estudo dure 13 meses, esperam-se algumas conclusões já no início do verão. "Não haverá mudanças até lá", assegurou o ministro responsável pelas vacinas, Nadhim Zahawi. Atualmente, a orientação oficial das autoridades de saúde britânicas é a de que qualquer pessoa que já tenha recebido a vacina da Pfizer e da BioNTech ou da Oxford e da AstraZeneca deve receber a mesma vacina para ambas as doses. Uma vacina diferente na segunda inoculação pode ser usada só em circunstâncias muito raras: se a que foi usada na primeira dose estiver indisponível ou se não se souber qual foi administrada.

Mistura pode ser benéfica

Especialistas da área defendem que a combinação de vacinas poderá funcionar tão bem ou até melhor do que um único tipo de vacina. Nadhim Zahawi lembrou que combinar doses diferentes é "feito historicamente" com outras vacinas, como as da hepatite, poliomielite, sarampo, papeira e rubéola. E alguns programas de imunização contra o Ébola envolvem a mistura de diferentes tipos de vacina para melhorar a proteção, por exemplo.

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Ouvido pela BBC, o investigador Matthew Snape, da Universidade de Oxford, considerou o estudo "tremendamente empolgante" e adiantou que ensaios em animais mostraram "uma melhor resposta de anticorpos com um esquema misto em detrimento de um esquema direto" de doses de vacina. "Será realmente interessante ver se os diferentes métodos podem levar a uma resposta imunológica aprimorada [em pessoas] ou pelo menos a uma resposta que é tão boa quanto dar o esquema direto das mesmas doses".

O especialista em epidemiologia e vacinas Jonathan Van-Tam, atual vice-diretor médico de Inglaterra, também defende que há "vantagens significativas" em saber se as doses da vacina podem ser misturadas ou não, tendo em conta os "desafios" do número de pessoas que precisam de ser vacinadas e as potenciais restrições de oferta global.

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