Covid-19

Liderança da China sabia do perigo do coronavírus semanas antes de o admitir

Liderança da China sabia do perigo do coronavírus semanas antes de o admitir

A China reportou, este domingo, uma queda nos novos casos de Covid-19 pelo terceiro dia consecutivo, numa altura em que se sabe que a liderança do país estava ciente da potencial gravidade da situação muito antes do alarme ser acionado.

A imprensa estatal publicou no sábado à noite um discurso proferido pelo Presidente chinês, Xi Jinping, em 3 de fevereiro, em que este afirma ter dado instruções sobre como combater o vírus em 7 de janeiro.

A divulgação deste discurso indica que os líderes do país sabiam sobre a possível gravidade do surto semanas antes de os perigos terem sido divulgados ao público. Apenas no final de janeiro as autoridades revelaram que o vírus podia ser transmitido entre seres humanos.

A 7 de janeiro, o coronavírus nem sequer havia sido identificado publicamente como tal. Até então, estavam apenas identificados 59 "casos de pneumonia", sete em estado grave e 121 pessoas em quarentena, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo o discurso agora publicado, a 7 de janeiro Xi Jinping deu instruções para "impedir e controlar o surto", mas as autoridades de Wuhan foram lentas a reagir e até organizaram um jantar para 40 mil famílias, para bater um recorde, a 18 de janeiro, dois dias antes da admissão pública do surto de um novo e mortal coronavírus, entretanto batizado de Covid-19, e de surgirem as primeiras notícias do surto.

Esta semana, os meios de comunicação estatais noticiaram a demissão do chefe do Partido Comunista da Comissão de Saúde na província de Hubei, Zhang Jin, e o subdiretor, Liu Yingzi, como castigo pela negligência. Juntamente com estes diretores, foram despedidos 337 funcionários daquela província, epicentro do Covid-19, "por incumprimento do dever."

Este domingo foram reportados 2009 novos casos na China continental, que exclui Macau e Hong Kong, elevando o número total para 68500, segundo a Comissão Nacional de Saúde do país. A taxa de mortalidade permaneceu estável, com 142 novas mortes, informou a mesma fonte.

O número de mortos na China continental pelo Covid-19, uma doença decorrente de um novo coronavírus, fixou-se nos 1665. No total, 9419 pessoas receberam alta após terem superado a doença.

A queda segue-se a um aumento de mais de 15 mil casos, na quinta-feira, quando a província central de Hubei adotou um novo método de contagem, que inclui diagnósticos clínicos.

Além dos 1665 mortos na China continental, há a registar um morto na região especial administrativa chinesa de Hong Kong, um nas Filipinas, um no Japão e um em França.

As autoridades chinesas isolaram várias cidades da província de Hubei, no centro do país, para tentar controlar a epidemia, medida que abrange cerca de 60 milhões de pessoas.

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